Conforme reportagem do Jornal Nacional levada ao ar nesta data, entre 95 e 2002, a prefeitura do Rio teria investido 26 milhões de reais na urbanização do Morro dos Prazeres. Mediante o projeto "Favela-Bairro", a comunidade recebeu saneamento, ruas asfaltadas, escolas, creches, postos de saúde e áreas de lazer.
Segundo a matéria, o Instituto Pereira Passos, órgão de planejamento da Prefeitura do Rio, relatava a existência no morro, à época das obras, de 333 casas. Assim, o investimento foi equivalente a 78 mil reais por domicílio - apesar de sua localização em área de risco. Destaca o Jornal Nacional que, segundo Luiz Cesar Ribeiro, coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, “teria sido mais eficaz se fosse aplicado em uma política habitacional. Tendo uma política habitacional, a população vai escolher melhores lugares para morar. Mas acabam morando nessas situações indevidas, de vulnerabilidade, de risco, por falta de alternativa”.
O resultado, infelizmente, é do conhecimento de todos.
Enquanto a tragédia dos desmoronamentos acontece no Rio, seguem as obras do PAC no "Complexo do Alemão", "Pavão / Pavãozinho", dentre outras comunidades. São bilhões investidos em obras de "cartão postal", arruamento, conjuntos residenciais e infraestrutura - grande parte em áreas de risco ou próximas. Ainda que as obras não venham a ruir no futuro, inegavelmente, agregam valor às comunidades e estimulam seu crescimento e ocupação.
Não se cogitou, pelo menos publicamente, qualquer estudo relacionado à erradicação das comunidades situadas em áreas de risco e a urbanização verdadeira daquelas onde tal seja viável. Para quem acha que empreendimento neste sentido seria impossível, nada como pesquisar o que ocorreu na Coréia do Sul ou, até mesmo, no bairro das latas em Portugal.
Assim, fica a sociedade atirando dinheiro nos bolsos das empreiteiras (e sabe-se lá de quem mais!), sem que os problemas relacionados à urbanização, desenvolvimento e humanização das favelas sejam, de fato, solucionados.
Obviamente, prontas e inauguradas as obras eleitoreiras e populistas, que subam os turistas para fotografar - antes que a água e a terra morro abaixo cumpram sua sina...
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Há 5 anos
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