Pontos de vista sobre a Política e sobre o papel de cada um em face de seu exercício. Particularmente, este espaço buscará abordar a percepção do autor sobre o papel dos militares e de segmentos liberais ante as ameaças de totalitarismo socialista em curso no Brasil.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Estamos Quase em Pasárgada

Não são recentes as incursões da esquerda brasileira, especialmente do PT, na formação político-ideológica de jovens. São conhecidos os exemplos de escolinhas e cursos, mantidos pelo partido, com forte conteúdo pseudo-marxista, voltados ao estabelecimento de conceitos favoráveis ao surgimento de uma sociedade igualitária - onde o patrimônio, o trabalho e seus frutos seriam distribuídos, poética e ingenuamente, entre todos.

No atual governo, há pouco mais de um ano, a página eletrônica do "congressinho" exibiu um simpático texto que justificava, às crianças, a necessidade de uma pequena fase de autoritarismo para o estabelecimento de um modelo efetivamente democrático e justo. Tal etapa, segundo o texto, seria o único caminho capaz de permitir o surgimento da verdadeira liberdade e da justiça social. Com as contundentes críticas provocadas pelo inocente conteúdo, foi o mesmo, rapidamente, retirado da página.

A edição de 31 de março de 2010 da revista "Veja" traz interessante, embora pouco explorada, matéria sobre o uso tendencioso e ideológico das disciplinas de sociologia e filosofia introduzidas no ensino básico pelo Ministério da Formatação, digo, Educação. Na verdade, a tentativa de vender às crianças, de forma simplista e quase subliminar, ultrapassados conceitos marxistas e de subversão cultural já vem sendo colocada em prática há mais de uma década pelo Ministério da Propaganda, digo, Educação, mediante as cartilhas e livros didáticos oficialmente recomendados e adotados.

Enquanto as consciências mais jovens são preparadas para, futuramente, voltarem ao passado, a sociedade adulta segue vivendo a mentira que escolheu, ou seja, a memória, artificialmente criada, de que a esquerda brasileira sempre foi defensora da democracia e que seus métodos, invariavelmente, sempre foram justificáveis.

Por tal fenômeno de histeria coletiva, os democratas brasileiros defendem, abertamente, as únicas ditaduras ainda existentes no planeta - sem que o fato provoque qualquer assombro na sociedade. Enquanto Hugo Chávez começa a efetuar prisões arbitrárias e assume o controle total sobre o Legislativo, o Judiciário e a mídia e Raul Castro culpa os Estados Unidos pelos presos cubanos, Lula se desmancha em elogios a ambos os regimes. E vai mais além, envolvendo-se em questões complexas, como o desenvolvimento do projeto nuclear iraniano, sem dar importância às convicções ideológicas e religiosas que orientam e condicionam Ahmadinejad. Parece que Lula entende o apoio ao Irã como tão simples quanto a criminosa e irresponsável intervenção Brasileiro-Venezuelana em Honduras. E o mais grave é que boa parte da opinião pública brasileira e internacional mergulhou na fantasia de um falso pacificador.

A seguir vitoriosa a trajetória da nova esquerda Sul-Americana, não estará longe o dia em que a estratégia de apagar incêndios com gasolina cobrará seu preço.

terça-feira, 30 de março de 2010

Excelente Análise de Carlos Alberto Montaner

A decepção internacional com Lula

Carlos Alberto Montaner*
O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/03/2010

Para Luiz Inácio Lula da Silva, os presos políticos cubanos são delinquentes como os piores criminosos encarcerados nas prisões do Brasil. Lula adotou, cruelmente, o ponto de vista de seu amigo Fidel Castro. Para ele, pedir eleições democráticas, emprestar livros proibidos e escrever em jornais estrangeiros - os "delitos" cometidos pelos 75 dissidentes presos em 2003, condenados a até 28 anos - equivale a matar, roubar ou sequestrar. Para Lula, Oscar Elías Biscet, um médico negro sentenciado a 25 anos por defender os direitos humanos e se opor ao aborto, é apenas um criminoso empedernido. Dentro de seu curioso código moral, é compreensível a morte do preso político Orlando Zapata ou a possível morte de Guillermo Fariñas, em greve de fome para pedir a libertação de 26 presos políticos doentes.

Os democratas cubanos não são os únicos decepcionados com o brasileiro. Na última etapa de seu governo, Lula está demolindo a boa imagem que desfrutou no começo. Recordo, há cerca de três anos, uma conversa que tive no Panamá com Jeb Bush, ex-governador da Flórida. Ele me disse que seu irmão George, então presidente dos EUA, tinha uma relação magnífica com Lula e estava convencido de que ele era um aliado leal. Isso me pareceu uma ingenuidade, mas não comentei a questão.

Alguns dias atrás, um ex-embaixador americano, que prefere o anonimato, me disse exatamente o contrário: "Todos nos equivocamos com Lula. Ele é um inimigo contumaz do Ocidente e, muito especialmente, dos EUA, embora trate de dissimulá-lo". E, em seguida, com certa indignação, criticou a cumplicidade do Brasil com o Irã no tema das sanções pelo desenvolvimento de armas nucleares, o apoio permanente a Hugo Chávez e a irresponsabilidade com que manejou a crise de Honduras ao conceder asilo a Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, violando as regras da diplomacia internacional.

Na realidade, o comportamento de Lula não é surpreendente. Em 1990, quando o Muro de Berlim foi derrubado, o líder do Partido dos Trabalhadores apressou-se em criar o Fórum de São Paulo com Fidel Castro para coordenar a colaboração entre as forças violentas e antidemocráticas da América Latina. Ali estavam as guerrilhas das Farc e do ELN na Colômbia, partidos comunistas de outros tantos países, a FSLN da Nicarágua e o FMLN de El Salvador. Enquanto o mundo livre celebrava o desaparecimento da União Soviética e das ditaduras comunistas no Leste Europeu, Lula e Fidel recolhiam os escombros do marxismo violento para tratar de manter vigente o discurso político que conduziu a esse pesadelo, e estabeleciam uma cooperação internacional que substituísse a desvanecida liderança soviética na região.

No Brasil, sujeito a uma realidade política que não pôde modificar, Lula comporta-se como um democrata moderno e não se afastou substancialmente das diretrizes econômicas traçadas por Fernando Henrique Cardoso, mas no terreno internacional, onde afloram suas verdadeiras inclinações, sua conduta é a de um revolucionário terceiro-mundista dos anos 60.

De onde vem essa militância radical? A hipótese de um presidente latino-americano que o conhece bem, também decepcionado, aponta para sua ignorância: "Esse homem é de uma penosa fragilidade intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de capacidade de fixar a atenção, tem lacunas culturais terríveis e por isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicaram a realidade como um combate entre bons e maus." Sua frase final, dita com tristeza, foi lapidar: "Parecia que Lula, com sua simpatia e pelo bom momento que seu país atravessa, converteria o Brasil na grande potência latino-americana. Falso. Ele destruiu essa possibilidade ao se alinhar com os Castro, Chávez e Ahmadinejad. Nenhum país sério confia mais no Brasil". Muito lamentável

*Carlos Alberto Montaner é escritor cubano

Marzo 12, 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Vídeo circulando na Internet

Antes de iniciar a visualização, estejam preparados para prestar muita atenção aos segundos iniciais do vídeo, mais especificamente na pessoa que se desloca para fora do ângulo da câmera logo no início da filmagem, bem atrás de José Dirceu...

Repito, reparem bem no homem de camisa verde de mangas curtas, saindo detrás de José Dirceu, logo no início da gravação. Parece tratar-se do atual Presidente, Sr. LUIS INÁCIO LULA DA SILVA. Vejam a cena várias vezes, tirem qualquer dúvida... Vejam que, ao perceber que está sendo filmado, ele deixa rapidamente o local.... Qual o motivo?...Isto acontece bem no início do vídeo...Não viram? Voltem a cena...Depois, escutem, com calma, se necessário várias vezes, as palavras de José Dirceu, sua clara demonstração sobre o perigo de que a reunião seja filmada e suas referências sobre a existência, em seu poder, de material comprometedor gravado de outras "reuniões" do passado. Sendo verdadeiro o material, abrem-se perspectivas preocupantes!

As palavras e insinuações de José Dirceu são chocantes, em especial quando considerados os episódios que, posteriormente, envolveram figuras centrais do governo. Que Deus tenha pena do nosso Brasil, entregue a ignorantes manipulados, a integrantes de milícias que se beneficiam das migalhas caídas dos banquetes dos poderosos líderes e a verdadeiros criminosos que pretendem - por maldade, ganância, vingança e ânsia de poder - destruir e controlar a sociedade brasileira.

Pena que, ainda que houvesse um grande esforço de divulgação do assunto na "internet", a imensa maioria dos brasileiros jamais tomaria conhecimento de tais cenas. E, o que é mais triste, mesmo que as vissem, nada entenderiam ou surgiriam explicações no sentido de minimizar sua gravidade.

Parece que nenhum jornal ou programa de TV reproduziu ou investigou, até a presente data, o vídeo e os indícios dele constantes.


Veja o vídeo

Artigo de Professor da UERJ

Um país misturado

José Roberto Pinto de Góes, O Globo, 23/03/10

O Supremo Tribunal Federal está julgando a constitucionalidade do sistema de cotas raciais adotado pela Universidade de Brasília. A decisão que vier a tomar pode pôr fim à tentativa de governos e ONGs de levar o Estado brasileiro a classificar racialmente os cidadãos, ou incorporar de vez leis raciais ao nosso ordenamento jurídico.

O sistema de cotas raciais da UnB sempre foi escandaloso — até para os padrões racialistas, que são muito elásticos. Na sua primeira versão, o candidato às vagas para a “raça negra” devia anexar uma fotografia à declaração de ser negro. Uma comissão julgava o caso. Aí veio o supremo ridículo, no vestibular de 2007: a comissão certificou a negritude de Alan e recusou a de Alex, irmãos gêmeos idênticos. A exigência da fotografia caiu, mas a comissão ainda existe e é secreta, clandestina. Não é incrível? Um grupo anônimo, sem delegação alguma da sociedade, se arvora o direito de dizer a mim, a você, a qualquer brasileiro, o que somos e a que raça pertencemos. A UnB criou um tribunal racial e a figura jurídica do estelionato racial.

Audiências públicas foram realizadas no início deste mês. O STF ouviu 28 pessoas favoráveis às cotas raciais e 12 contrárias. Mas as intervenções foram pautadas pela serenidade, educação e respeito, como convém à dignidade daquela Corte. Os maus modos começaram depois, na imprensa e na internet. Tem sido sempre assim: a militância racialista não discute — porque não quer ouvir argumentos diferentes dos seus — e se contenta e se compraz em desqualificar o “inimigo”, que só pode estar mal intencionado, ser contra a inclusão social, os pobres, os negros e tudo de justo e razoável que pode haver nesse mundo.

O alvo da vez é o senador Demóstenes Torres, crítico das leis raciais. Na qualidade de presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ele fez uso da palavra e, entre outras coisas, afirmou que os brasileiros não padecem de uma espécie de pecado original, caracterizado pelo estupro das escravas por seus proprietários (obviamente todos brancos, nessa versão).

Desde então, tem sido amplamente caluniado, como se tivesse negado a natureza intrinsecamente má da escravidão e o poder dos senhores de violentar suas escravas.

O senador não disse nada disso. No que disse, tem razão. A miscigenação do povo brasileiro tem pouco a ver com estupro de escravas. Não se trata de negar ou diminuir a dor experimentada por muitas mulheres que se viram cara a cara com o mal, representado pelo desejo sexual despótico do proprietário.

Mas a nossa miscigenação, tão larga, tão ampla, se fez, sobretudo, entre a população pobre e livre — geralmente bem maior do que a população escrava. Todas as fontes até hoje estudadas o indicam. Se alguém tem provas em contrário, que apresente.

Até lá, não há por que duvidar que somos mestiços filhos do desejo, do amor e do cuidado de nossas famílias.

Por que os racialistas insistem em criar o Mito do Estupro Original? É simples: porque precisam

Por que os racialistas insistem em criar o Mito do Estupro Original? É simples: porque precisam associar a idéia de negro (na qual incluem os pardos) à de vítima. A vitimização da “raça negra” é peça central na ideologia racialista: sem ela não há cotas, não há reparação, não há leis raciais.

Além disso, não se conformam com a nossa miscigenação. Tudo seria muito mais fácil se o Brasil fosse um país bicolor, pretos de um lado, brancos de outro. Não é. Então, faz-se necessário desqualificar a nossa mistura e inventar um passado pecaminoso para ela.

Moral da história: não se pode querer leis raciais para o Brasil sem levar na alma certo incômodo com Brasil tal como ele é: misturado, racialmente indistinto e surdo a apelos raciais.

JOSÉ ROBERTO PINTO DE GÓES é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

terça-feira, 23 de março de 2010

Esquerda se mobiliza contra os Direitos Humanos

Diversos parlamentares de esquerda, mediante coordenação da Deputada Vanessa Grazziotin (PC do B), se mobilizam - pasmem todos - no sentido da apresentação de moção de apoio ao governo de Cuba. Isto significa respaldar, em nome da sociedade brasileira, um regime totalitário que desrespeita a liberdade e os direitos humanos.
A iniciativa, antes de tudo, é extremamente interessante e permitiria, caso a sociedade estivesse atenta, perfeita percepção sobre o "modus operandi" dos comunistas (ou socialistas) brasileiros. Em sua lógica, o movimento que impediu a transformação do Brasil em uma ditadura aos moldes de Cuba, e os vinte anos que a ele se sucederam, constituiram-se em autoritarismo e arbitrariedade. Já o regime implantado por Fidel Castro, com a ajuda do médico, poeta, humanista e herói "Che" Guevara, responsável pelo fuzilamento de dezenas de milhares, é defendido como modelo democrático - digno de moção de louvor na Câmara dos Deputados. Nesse ponto vale citar que muitos desses fuzilamentos foram levados a cabo pelas mãos dos próprios paradigmas da democracia já referidos, certamente, como um preço justo a ser pago (obviamente por suas vítimas) pela revolução e pela liberdade.
Na mesma Câmara de Deputados, não obteve êxito, até o momento, moção destinada à defesa dos prisioneiros políticos ainda existentes na República Cubana e no repúdio à morte de Orlando Zapatta Tamayo.
Assim fica difícil entender o que sejam valores democráticos para a esquerda brasileira e fácil imaginar o que seria a vida sob suas regras e critérios.

Nada a Acrescentar

Ricardo Linhares
(Autor de Novelas)
Lula no Oriente
"Lula leva o País a vexame internacional por sua obstinação em se promover"
O Brasil passou por uma situação constrangedora durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio. O embaraço não foi causado só pela habitual grosseria dos atuais dirigentes do Itamaraty, que produziu as gafes diplomáticas de praxe, como a recusa em homenagear o escritor Theodor Herzl.
O presidente brasileiro agiu como se ninguém jamais houvesse se preocupado em conversar com israelenses e palestinos antes. Como se o mundo só aguardasse a sua interferência para promover a paz na região. Sua tentativa de mediar o conflito foi um vexame.
Lula é tão primário que afirmou que houve “alguma coisa mágica” na crise entre Estados Unidos e Israel, motivada pelo projeto de construção de casas para colonos judeus na parte oriental de Jerusalém. Como o entrevero ocorreu com pouco intervalo de tempo entre a visita do vice-presidente americano e a do dirigente brasileiro, Lula achou que a coincidência “mágica” ajudaria na criação do Estado palestino.
Se o presidente brasileiro tivesse bons conselheiros internacionais, poderiam lhe explicar que não há mágica no mundo adulto. Mas o chanceler Celso Amorim e o assessor especial Marco Aurélio Garcia são vítimas de antiamericanismo estudantil, que lhes tolhe a visão global do mundo. Os casos de Honduras, do Irã e de Cuba mostram as equivocadas escolhas da política externa petista.
É patética a intenção personalista e messiânica de Lula de se autopromover internacionalmente, a qualquer preço. O Brasil nada tem a acrescentar ao conflito no Oriente Médio, entre israelenses e palestinos. O presidente Lula deve ter assuntos internos mais importantes a tratar, como, por exemplo, a disputa pelos royalties do petróleo entre estados e municípios.
(Publicado em "O Dia", terça-feira, 23 de março de 2010).

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ser Comunista ou Trabalhar, Eis a Questão!

Quem acredita no valor ou na espontaneidade de manifestações, em favor da família Castro, por parte de cidadãos cubanos vivendo, de forma autorizada, no Brasil ou, ainda, pela médica que diz haver-se graduado naquele país, faz papel de ingênuo, tolo ou, o que é mais provável, constitui-se em mais um militante de esquerda, beneficiado por sua atividade ou produto da lavagem cerebral promovida pelos partidos.

Quem pretenda, de fato, ouvir a verdade, deve ouvir cubanos proibidos de deixar a ilha, aqueles foragidos ou, então, desafiar os governantes locais a autorizarem a saída livre daquele paraíso comunista.
Afinal, os manifestantes pró-Cuba que negaram, ferozmente, o desrespeito aos direitos humanos e às liberdades democráticas praticados pelas ditaduras de Fidel e Raúl Castro, ou são integrantes de minoria privilegiada autorizada a viajar para fora do paraíso ou, em face de terem familiares na ilha, são obrigados a rezar conforme o credo comunista cubano e brasileiro.

Quanto à médica brasileira que se colocou, igualmente, como ardorosa defensora do regime cubano, qual terá sido o critério para que tenha estudado em Cuba e quem teria custeado seu curso? Talvez não tenha havido nenhum patrocínio e os estudos tenham sido mantidos pelo contrabando, para Cuba, de produtos supérfluos, raros naquela terra defendida por democratas e progressistas de Brasília, como papel higiênico, dentifrício, tecidos, eletrônicos ou revistas. Aliás, tais singelas deficiências, decorrentes da queda da URSS e do fim do fluxo de ajuda financeira daquele bloco a Cuba, já devem estar sendo sanadas pelos pródigos recursos provenientes do Brasil - que já solucionou todas as suas próprias mazelas, como a reparação de sua precária malha rodoviária, o soerguimento de seu falido sistema de saúde pública e a correção das injustiças praticadas contra seus aposentados e, com o que lhe sobra, faz bonito para os companheiros.

E há, ainda, aqueles que, sem nenhuma coerência, acusam políticos brasileiros que se contraponham ao regime castrista de serem, de fato, defensores da tortura. Ora, tenham alguma paciência, quem defende a tortura, abertamente, hoje, é o Presidente Lula - que nega a existência de presos políticos na República de Cuba e afirma sobre o respeito aos direitos humanos e liberdades democráticas por aquele governo.

Certamente, o argumento da esquerda para seu entendimento sobre a propriedade de ditaduras como aquelas existentes em Cuba ou Venezuela fundamenta-se na crença de que as sociedades não têm capacidade para a escolha daquilo que seja, segundo o pensamento comunista, o bem comum. E, para vencerem, portanto, as barreiras impostas pelo liberalismo, precisam de uma ajudinha totalitária.

Quem sabe, ainda, no futuro, sejam divulgados patrimônios ou empresas, em Cuba, pertencentes a "laranjas" ligados aos paladinos da esquerda latino-americana. No Brasil, antigos comunistas e sindicalistas, e suas famílias, vão muito bem e se destacam financeiramente. Sem falar naqueles que são verdadeiros fenômenos, todos gozam de polpudas e merecidas aposentadorias, indenizações milionárias e cargos no serviço público - ou com ele relacionados.

Assim, defender Cuba mostra-se extremamente vantajoso. Muito mais que estudar e trabalhar uma vida inteira!

Extraído da Internet

A Submissão Consentida

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Tudo começou quando um “puxa – saco” deu uma farda para ele. Era de Marechal. Ele experimentou e... gostou, até demais.

De repente, cercado por chefes militares obsequiosos, perfilados e cordatos, apesar de saber que o “hábito não faz o monge”, convenceu-se que era um marechal, que mandava como um marechal, que pensava como um marechal, e que a vistosa farda substituía, os inócuos anos perdidos na caserna, as madrugadas acadêmicas, a luz bruxuleante das “gagazeiras”, as horas de estudo, o delicioso “catanho”, a gostosa groselha e a pegajosa mariola, os serviços, as transferências, as patrulhas, as maneabilidades, as “ralações”, as jornadas no mato/campo, os cursos, as manobras na carta, no terreno, etc, e glorificou a máxima de “quem faz carreira no mato é veado”.

A subjugação satisfaz o imenso ego do espaçoso Marechal dos marechais, e o escorregadio “nossa excrescência”.

Aos poucos, descortinam-se as verdadeiras intenções da estratégia (END), visualizada pelos escaldados pessimistas como uma engabelação que escondia algo famigerado, como a referida PEC.

A aprovação pela Câmara dos Deputados do Projeto de Lei Complementar que reestrutura o Ministério da Defesa, reorganiza o preparo, o emprego e uso das Forças Armadas, unifica as operações da Marinha, da Aeronáutica e do Exército, pelo acachapante escore de 328 votos a 5, sublinha que os nossos representantes, como de praxe, não se preocupam em preservar a dignidade das Instituições Militares, imergiram-nas na podridão que viceja no cenário nacional, e martelaram o último prego no caixão onde estrebuchava um resto da dignidade nacional.

Breve, estará na pauta da mesma canalha, a aprovação do 3º PNDH. Haverá uma pantomima, debates acalorados, réplicas e tréplicas, cortes ou maquiagens em alguns pontos, mas ao final, ó incrédulos, a peça será aprovada.

A PEC centralizou nas mãos do ministro da Defesa a escolha dos comandantes das três forças, a promoção dos Oficiais-Generais e as compras das Forças Armadas.

"É uma lei que propõe dar musculatura ao Ministério da Defesa", resume o Deputado José Genoino (PT-SP), relator do Projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. “Deve ser da musculatura da cintura do ministro, que agora pode atravancar com mais força”, dizem os céticos. De acordo com “a boa nova”, as Forças Armadas estarão sujeitas aos humores e interesses da política. Leia–se dos políticos.

A PEC, definitivamente, inocula uma vertente política no apolítico Estamento Militar. A designação dos futuros Comandantes, por indicação do Ministro da Defesa, uma felpuda raposa, poderá tornar-se uma “indicação política”. Nós conhecemos como o atual governo mobília com os “seus”, os cargos e as funções.

Como uma gigantesca lula, o desgoverno máximo estendeu os tentáculos do Estado por todos os setores da vida nacional. Agora, sacramentam, ou cooptam pela via legalizada, o Estamento Militar. Nessa insânia, cumpre estatizar, dominar, submeter, quanto mais, melhor.


Por isso, os postos e cargos de alto nível nas Forças Armadas poderão fazer parte das barganhas e negociações que já conhecemos. A indicação política terá um peso enorme na nomeação. “Este serve, este não, este concorda, este não, este é a favor...”

A criação da Secretaria de Compras, encarregada do "grosso do orçamento para a compra de material bélico, alimentação, fardamento" insere uma vislumbrada vertente de corrupção nas tratativas comerciais, pois seu controle e necessidades fogem da gerência ilibada do Estamento Militar e passam a fazer parte do universo de possibilidades que poderão regar o “Caixa Dois” dos recursos de campanha e, sendo um recurso escamoteado ao grande público (é provável que seja sigiloso), com facilidade sempre poderá sobrar algum para os patifes de plantão (e como tem sobrado).

É o viés político adentrando na caserna... pela porta da frente.

Brasília, DF, 16 de março de 2010

Ternuma Regional Brasília

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dois Mais Dois, Igual a Quatro

Caso verdadeiras as denúncias constantes do jornal "Estado de São Paulo", dando notícia de um pacto de não agressão entre o governo do Rio de Janeiro e traficantes do Complexo do Alemão, com a mediação de José Júnior, do grupo AfroReggae, tendo em vista o andamento das obras do PAC na localidade - sombrias perspectivas se abrem para a sociedade brasileira.

Na verdade, não seria a primeira vez que a imprensa e o povo circulam notícias de supostos acertos entre governantes e o crime. Breve pesquisa sobre o governo Brizola trará a tona muitas denúncias semelhantes. Talvez, no passado, tais episódios não tenham sido expostos de forma tão detalhada e inexistissem os imensos investimentos do PAC para temperar a mistura. O fato é que os meios hoje disponíveis para a apuração de denúncias dessa gravidade são muito maiores.

A divulgação, por órgãos da imprensa carioca, de atividades do líder do MST José Rainha, já condenado pela justiça por diversos crimes e, quando à frente de invasões rurais, habituado à ações radicais, na comunidade da Rocinha, permite o estabelecimento de um clima de conspiração que assusta àqueles que juntam as pontas do novelo.

Afinal, durante a atual gestão de ex-guerrilheiros, já houve outras denúncias, fartamente discutidas na mídia, sobre o envolvimento entre Hugo Chávez, as FARC, personagens de Brasília e o crime organizado do Rio de Janeiro. É verdade que a sociedade jamais chegou a receber informações sobre eventuais investigações, ou seus resultados - porém tal silêncio ou desinteresse por parte dos setores responsáveis pela manutenção das leis não abranda o medo de que o Estado venha a situar-se, perigosamente, ao lado do crime.

Inúmeros foram os escândalos ocorridos nas gestões ditas democráticas cujas características permitem identificar graves crimes - invariavelmente, sem que os responsáveis tenham sido identificados e, efetivamente punidos. Apesar disso, não há tribuna onde os políticos da esquerda não façam referências e acusações ao que denominam ditadura militar e autoritarismo. O curioso é que nenhum dos militares participantes do processo político ocorrido de 1964 a 1984 tenham ficado ricos, ou sequer "remediados" e que, a partir da "abertura", diversos políticos, de origem modesta, se tenham tornado absurdamente abastados após alguns anos de vida pública - embora patrimônios sejam mensuráveis e rastreáveis e a Matemática ou a Economia não admitam mágicas.

A defesa incondicional, pelo Presidente da República e muitos de seus Ministros, da ditadura cubana e da loucura chavista talvez sejam a peça central do quebra cabeças. Sua análise cuidadosa permitirá a compreensão do cenário pretendido para o Brasil e a identificação, em diversas ações de governo em curso, das formas buscadas para seu atingimento.

O PT e seu conceito tendencioso sobre Direitos Humanos

A página do Deputado Federal Aleluia, de 18 de março de 2010 (http://www.deputadoaleluia.com.br/website/default.asp?a=11&cod=28505, 18 Mar 2010)traz a seguinte matéria:

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) submeteu ao plenário uma moção de solidariedade aos presos políticos de Cuba.
Curto e objetivo, o texto anota: “A Câmara manifesta moção de irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que em Cuba lutam pela liberdade e democracia”.
Temer abriu os microfones para que os líderes pudessem encaminhar a votação. Deu-se, então, o inusitado. O PT pegou em lanças contra a moção.
Discursando em nome da liderança petista, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) atacou o autor do requerimento, Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Referindo-se ao passado de Bolsonaro, militar da reserva do Exército, conhecido pelo apoio à ditadura, Valverde disse:
“Causa-nos estranheza que, quem protocolou essa moção, no passado defendeu a ditadura. Pela incoerência, somos contrários”.
Temer tentou contemporizar. Disse que o texto, em sua versão original, propunha “uma moção de apoio mais vigorosa”.
Esclareceu que, a pedido da presidência da Câmara, Bolsonaro negociara com líderes partidários e enxugara a moção.
O petista Valverde não se deu por achado: “Boa parte dessas informações não provem de fonte segura, mas de opositores do regime cubano...”
“...a crítica não vem da sociedade cubana, mas daqueles que resistem ao regime, financiados pelos EUA”.
Estabeleceu-se em plenário uma atmosfera de polêmica. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foi ao microfone:
“Ficar contra essa moção é o mesmo que dizer que é contra a liberdade e a democracia. Só o PT teve coragem de assumir essa posição”.
Ao farejar o cheiro de queimado, Temer deu meia-volta. Suspendeu a votação. Informou que levaria o texto da moção a uma reunião com os líderes.
Comprometeu-se a devolver o tema ao plenário na próxima terça (23). Líder do PSDB, o deputado João Almeida (BA) interveio.
Lembrou a Temer que, por orientação da presidência, os líderes já haviam negociado o texto. “Reflete a posição da maioria”, disse.
Almeida acrescentou: “É impossível fazer uma moção em termos mais brandos do que essa. Sob pena de expressar uma posição vacilante, inadmissível...”
“...Ao atacar o deputado Bolsonaro, o PT parece não acreditar na conversão dos homens. Isso não é argumento”.
Temer recusou-se a voltar atrás: “Já fiz declarações públicas, em nome da Câmara, de solidariedade a todos os que lutam por liberdades no mundo...”
“...Mas o meu dever é manter unidade no plenário. Vou levar a matéria aos líderes para tentarmos chegar a um texto comum. Se não houver, trarei a moção ao plenário”.
A despeito do adiamento da votação, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) não se conteve:
“Todo esse interesse da oposição em debater Cuba tem o objetivo de combater o presidente Lula...”
“...Ele está no Oriente Médio, procurando construir a paz no mundo. Alguns parlamentares querem deformar o debate...”
“...Por que não incluem na moção o fim do embargo a Cuba e o fim da base militar de Guantânamo? Cuba está construindo o seu país. Vamos construir o nosso”.
O argumento de Mourão, por ridículo, não fica em pé. No debate sobre Cuba, Lula dispensa desmoralizou-se por conta própria. Não precisou da oposição.
Ao se contrapor à moção de teor anódino, o PT vai no mesmo caminho.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ação ou Suicídio

Apesar do registro histórico de participações destacadas de expoentes das Forças Armadas no processo político brasileiro, experiências contemporâneas fizeram com que o interesse por essa atividade caminhasse em sentido contrário ao rumo, hoje, imprescindível.
Assim que, a partir dos anos 60, à exceção dos chefes militares envolvidos no governo, os militares foram estimulados ao entendimento da atividade política como incompatível com os quartéis.
De fato, tal percepção não é verdadeira. Obviamente, o envolvimento político-partidário dos militares, em especial com reflexos intra-muros, mostra-se extremamente danoso às estruturas basilares da caserna. Entretanto, é inegável que a articulação e a prática políticas constituem-se, atualmente, no principal instrumento de condução da sociedade e, via de consequência, para o direcionamento do futuro de suas instituições.
Como exemplo desse fato, podem ser citados a criação do Ministério da Defesa; a forma de condução dos temas de interesse das Forças Armadas nos governos Fernando Henrique e Lula e, mais recentemente, a aprovação, na Câmara dos Deputados, de projeto que modifica a estrutura nacional de Defesa e aumenta o poder do ministro da Defesa - subordinando ao MD, e não mais ao presidente da República, a indicação dos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. Sem falar no PNDH3, cujo teor representa grave dano ao país e ao papel dos militares.
Certamente, caso as forças armadas não despertem para seu potencial político - fruto de sua credibilidade e compromisso histórico com a sociedade - muitas outras mudanças, ainda mais nocivas, seguirão sendo implantadas, intencional e planejamente, contra a democracia e, vigativamente, contra os militares.
Convém lembrar que, enquanto existem discursos e vontades no sentido da extinção de direitos históricos e plenamente justificáveis dos militares, hoje apartados das "carreiras de Estado", estas últimas, bem como outras atualmente "interessantes" ao governo, seguem conquistando os mesmos direitos, como a paridade entre ativos e inativos, pensões integrais, dentre outros.
Paralelamente à necessidade do estabelecimento de estratégias comuns de articulação de sua força política na atividade político-partidária, as Forças Armadas deverão exercer sua capacidade política, alicerçada em seu reconhecimento pela sociedade, em sua união, preparo e capacidade de mobilização - no sentido da pressão pela defesa de seus interesses.
Omitir-se quando o momento exige posição firme poderá significar a rachadura capaz de, em pouco tempo, lograr o desmantelamento daquelas que são um dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Afinal, historicamente, as Forças Armadas tem sido, no Brasil, sustentáculo da democracia e da paz social.

domingo, 14 de março de 2010

Agora o Pré-Sal é Realidade

Já há alguns anos as jazidas do pré-sal, conhecidas de muito tempo mas não objeto de negociação política em virtude das dificuldades para sua exploração, tornaram-se o carro chefe da decolagem para um novo Brasil.
Em seu nome, a Petrobrás - que banca qualquer coisa que interesse ao governo - quase foi levada à bancarrota e, se mais não conhece o país sobre tal risco, uma das razões situa-se no jogo político que permitiu o travamento de CPI sobre o assunto.
Também em nome do pré-sal foram preparados planos em todas as áreas e costuradas e rompidas relações políticas - com as usuais trocas de vantagens e, como sempre, mediante farto patrocínio.
Vislumbrando ganhos políticos com a discussão do assunto, as agendas sobre o chamado "marco regulatório" foram antecipadas, aceleradas. Afinal, em 2010 o país viverá o grande espetáculo político da reeleição de Lula, quer dizer, da eleição de Dilma. Ocorre que, como evenualmente ocorre, algumas coisas fugiram ao controle e, neste caso, a raiz do problema situou-se nos interesses de Rio de Janeiro e Espírito Santo - colocados em conflito com os interesses dos demais Estados.
Se anteriormente ninguém havia feito a tão sonhada reforma política, agora os reflexos do sistema em vigor mostram alguns de seus efeitos.
Pelo menos, em face de tamanho problema, fica uma certeza: o Presidente ainda terá o poder de dizer a última palavra sobre o assunto. Vetando a medida aprovada, Lula fica bem com Rio de janeiro e Espírito Santo - e mal com os demais Estados. Não o fazendo...
Como consolo, resta a experiência de saber que, mediante alguns ajustes, trocas de favores e promessas políticas tudo será acertado ao final.
E os interesses do Brasil, ou do Rio, ou do Espírito Santo? Certamente serão os interesses de seus representantes... Ou jamais terão sido?

Pimenta nos Olhos do Povo é Colírio

Dando prosseguimento à campanha de sua candidata Dilma Rousseff, o Presidente Lula continua subindo ao palanque e, quase sempre, misturando as bolas ao criticar quem ouse situar-se entre o poder e seus objetivos.

Durante a inauguração de mais uma nobra inacabada, desta feita em Araucária, no Paraná, o Presidente, esquecendo-se de seu papel como chefe do Executivo, fez duras críticas ao TCU e à toda "máquina de fiscalização" do Estado - pelo pecado de haver identificado irregularidades relacionadas a preços e licitações em obras da Petrobras e haver recomendado sua paralização.

Segundo o Presidente, seriam necessários 'novos mecanismos' de fiscalização que, segundo o mandatário, muitas vezes não permite que as obras aconteçam. "Sou favorável a toda e qualquer fiscalização que façam, até 24 horas, via satélite. Acontece que as coisas são complicadas. Muitas vezes as pessoas levantam suspeitas de uma obra, paralisa a obra e só depois da obra paralisada chega a conclusão que está correta. Quem paga o prejuízo da obra paralisada? Não aparece. O povo brasileiro paga porque não tem obra", disse.

Ainda segundo Lula, "Temos uma máquina de execução frágil e mal remunerada e temos uma máquina de fiscalização altamente modernizada. Há um descompasso e é preciso um ajuste para as obras poderem andar."

E quanto aos empresários e cidadãos comuns, que não podem, simplesmente, ignorar a máquina de fiscalização que, além de altamente modernizada, é usada de forma injusta e abusiva. Afinal, quem controla os critérios referentes à compensação de tributos, correções de tabelas, multas, dentre outros incontáveis aspectos do fisco?

Sem falar nas relações de trabalho, portarias originadas no CONTRAN e incontáveis exigências que dificultam a abertura e funcionamento das empresas e encarecem e restringem, abusivamente, a vida dos cidadãos comuns!

Pena que o povo brasileiro não possa fazer como seu presidente em campanha e sua boneca de ventríloquo e, simplesmente, deixar de cumprir as normas e recomendações - sem qualquer preocupação quanto a futuras responsabilizações.

Algo de positivo fica de mais esta singular manifestação da nomenklatura que comanda o Brasil: o consolo de que o próprio chefe do Executivo defina os mecanismos de fiscalização do Estado como injustos. Pena que esta pimenta somente doa nos olhos dos outros.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma Questão de Coerência

Uma vez mais, publicamente, Lula defende o governo de Cuba em face da prisão de dissidentes e de sua eventual morte. Em sua argumentação, o grande estadista compara os dissidentes cubanos a presos comuns de São Paulo - questionando sobre o que aconteceria se todos fizessem greve de fome para obter a liberdade.
Vale lembrar que há alguns anos, muitos dos atuais ministros de Lula plantavam bombas, assaltavam bancos, matavam e sequestravam embaixadores estrangeiros - e hoje recebem indenização dos cofres públicos por seus atos de heroísmo.

Maravilhosas as palavras do estadista quanto ao respeito pelos assuntos internos da ilha. Pena que igual sentimento não tenha sido demonstrado quando o Brasil negou a extradição de Batisti, assassino comum, julgado e condenado na Itália - nação democrática e onde os cidadãos gozam de plenas liberdades. Maior ainda foi seu afastamento do mesmo princípio de não intervenção nos assuntos de outros países quando, associado a Hugo Chávez e solenemente justificado pelo Itamaraty e pelo chanceler Marco Aurélio Garcia, divulgava informações distorcidas ao povo brasileiro enquanto intervinha, diretamente, na política interna de Honduras - quase ao ponto de causar uma guerra civil naquele país.

E quanto aos atletas cubanos, todos já se esqueceram?

Pois é, existem aqueles (a grande maioria) que, via de regra, agem corretamente e, muitas vezes são mal interpretados. Lula é a prova viva de que outros existem que, agindo quase sempre mal (e quando dão explicações, o fazem pior ainda!), sempre são bem interpretados. Resta saber até onde o lobo terá a paciência de fazer-se cordeiro ou, colocado de outra forma, julgará necessário - por seu poder e influência - fingir-se democrata ou justificar-se. Chávez já atingiu tal estágio!

Desarmando o Estado

Em virtude da vitória do "não" no referendo havido em 23 de outubro de 2005, o artigo 35, da Lei de Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), que previa a proibição de armas de fogo e munição, não entrou em vigor. Apesar da derrota, e em gritante desrespeito a demonstração da vontade nacional sobre o tema, a decisão pelo desarmamento acabou por mostrar-se, na prática, vitoriosa. O fato comprova a tese de que, no Brasil, vem assumindo espaço o conceito de que "democracia significa fazer o que o grupo dominante deseja e que ditadura nada mais seria que a obrigação, por parte do mesmo grupo, no sentido do respeito às leis ou àquilo que não represente sua vontade".
Prevaleceu a suposta vontade dos ingênuos, que não percebem as armas como ferramentas ou instrumentos e seus usuários como verdadeiros responsáveis por seu uso adequado ou inadequado. Tal vitória somente foi possível mediante a ação dos verdadeiros articuladores do desarmamento da população - elementos ideológicamente comprometidos e com objetivos específicos, definidos.
Que perigo poderia representar uma arma nas mãos de um cidadão cumpridor das leis e integrante positivo do organismo social? Certamente risco muito menor que um automóvel nas mãos de um irresponsável. Ademais, caso possível, por um ato miraculoso, o desaparecimento imediato de todas as armas de fogo, os marginais seguiriam sua rotina de crimes e desrespeito às leis mediante o uso de facas, porretes e outros instrumentos - até mesmo um garfo de mesa. Sem falar no simples uso da força física e da maioria numérica.
Recentes episódios, no Haiti e no Chile, mostraram que os cidadãos, ante o colapso parcial ou total dos mecanismos de segurança e defesa, necessitam prover a própria defesa ou da sociedade contra criminosos que enxergam, em tais oportunidades, momento fácil para o prevalecimento de seus interessses. Obviamente, delinquentes não entregam suas armas em campanhas de desarmamento ou terão restringido seu acesso à aquisição de tais instrumentos - via de regra, importados.
Reforçando a tese relacionada a existência de um objetivo definido a mover os articuladores do desarmamento, que nunca manifestaram uma linha ou palavra contra o progressivo aumento dos processos de violências, desrespeito e armamento do MST, surge, finalmente, o PNDH-3.
Constitui-se o referido plano em maravilhoso instrumento, produzido por democráticos ex-guerrilheiros, com longo histórico de luta, à época subvencionada pelo comunismo internacional, orientado e controlado por Rússia e Cuba, em prol da submissão do país à referida ideologia. No documento fica evidente a intenção de restringir o papel das Forças Armadas e transformar militares estaduais em instrumentos controlados pelo poder central, estimular os conflitos no campo, esvaziar as atribuições do judiciário e colocar a sociedade, indefesa, perante aqueles que pretendem impor, pela força, suas crenças e vontade. Tudo ante o silêncio de uma imprensa posta sob cabresto pelo mesmo PNDH-3.
E tudo em defesa dos direitos humanos e da democracia.
Enquanto isso, intelectuais, pensadores, mídia e empresários seguem vivendo, quem sabe, na "sociedade alternativa" proposta por Raul Seixas - cujo rumo, certamente, não estaria vinculado aos caminhos ora desenhados nos planos em curso.

terça-feira, 9 de março de 2010

A História que Querem Apagar (3)

Editorial de “O Globo” do dia 02 de abril de 1964:
“Ressurge a Democracia”
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.
Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.
Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.
Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.
Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.
As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”
No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.
Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.
Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.
A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.
Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”
(Grifado pelo blog)

A História que Querem Apagar (2)

O Cruzeiro, Edição Extra de 10 de abril de 1964
GUANABARA HORA A HORA
Reportagem da equipe de “O Cruzeiro”
31 de março, na Guanabara. O Governador Carlos Lacerda prende líderes sindicais reunidos em assembléia permanente. Entre êles, Rafael Martineli, o que redundou na greve imediata da Leopoldina, como protesto. Dez vagões colocados numa passagem de nível, na Rua Francisco Bicalho, forma empurrados por choferes e passageiros de ônibus e lotações. (Mas os vagões voltaram a impedir o tráfego, até o fim da crise).
Às 19 horas do dia de temor que era o 31 de março a Rádio Jornal do Brasil é invadida por um grupo de fuzileiros. Armados de metralhadoras, equipados para uma batalha. Motivo alegado para a invasão: divulgação de uma nota em que se dizia que o General Humberto Castello Branco se reunira com diversos oficiais-generais no Ministério da Guerra. O Ministério, àquela altura, era tido e havido como reduto do Govêrno Federal. A Rádio, daí em diante, passou a transmitir apenas noticiários internacionais, em seus programas noticiosos. Pouco mais tarde, naquela mesma noite, 200 soldados tomavam conta da Central do Brasil, que aderira à greve da Leopoldina. Na Avenida Presidente Vargas, o povo, que sem condução se concentrara em frente ao monumento ao Duque de Caxias, esperava ordeiramente os poucos caminhões que faziam o tráfego para o subúrbio.
Vila Militar, já no dia seguinte, 2 h 30 m da madrugada. Preparo de tropas para serem enviadas a S. Paulo. Enquadrados, os oficiais negavam-se a prestar qualquer declaração.
Cidade. Dia de cada um. 7 horas. Extensas filas se formam em frente às casas comerciais. Padarias, botequins, grandes mercearias e supermercados têm seus estoques esgotados. Lataria é o primeiro tipo de gênero que se acaba, entre o correr dos boatos nas filas. O saque não deixou de dar o ar de sua graça: a filial das Mercearias Nacionais, instalada nas proximidades do Parque Proletário da Penha, é assaltada por um grupo de favelados, quando os operários arrumavam (sem saber que estavam fazendo um gesto para entrar na história da sobrevivência) latas de conserva nas prateleiras. Um saqueador foi ferido pelas balas da guarnição da polícia estadual, que compareceu.
Estamos em pleno 1º de abril, que desta vez não foi motivo de brincadeiras. 10 horas. Avenida Presidente Vargas e Rio Branco com muita gente em seu cruzamento, procurando apanhar carona para os seus bairros para os seus bairros da Zona Norte, em face da greve geral dos transportes coletivos da cidade. Nas esquinas, piquêtes nitidamente esquerdistas e antimilitares, que dominaram a Cinelância até às 14 horas. A sede do Diretório Regional do PTB, na Cinelândia, ampliava, por seus auto-falantes, a pregação revolucionária, incitando os populares a invadirem o Clube Militar, na esquina da Rua Santa Luzia.
Na verdade, populares tentaram, pouco depois, invadir a sede da entidade de classe dos oficiais do Exército, no que foram obstados pelos disparos dos tenentes, capitães, majores, coronéis e generais que lá se encontravam. Os oficiais dispararam de início para o ar e por fim para valer.
Às 15 horas, mais ou menos, um automóvel lançou volantes na Cinelândia, convocando o povo a participar de um comício de protesto contra o movimento revolucionário e que deveria realizar-se meia hora depois.
16 horas. É o sangue. A multidão tenta, mais uma vez, invadir e depredar o Clube Militar. Um carro de choque da PM posta-se diante do Clube. O povo presente vaia os soldados. Mais tarde, choques do Exército, chamados a pedido do Marechal Magessi, Presidente do Clube Militar, dispersam os agitadores. Que voltam na recarga, pouco depois (para sua infelicidade). Repelidos a bala, deixam em campo, feridos, vários manifestantes; emtre êles Labib Carneiro Habibude e Ari Oliveira Mendes Cunha, que morreram às 22 horas, no Pronto-Socorro.
16 horas e 30 minutos. Fuzileiros navais que protegem o Palácio da Laranjeiras retiram-se em 4 caminhões. Um dêles traz, como apêndice, um canhão. Mais atrás, um ônibus da Marinha. O restante da defesa era a guarda do Palácio por conta de alguns poucos soldados da Polícia do Exército, colocados na esquina de Gago Coutinho com Laranjeiras, e um pelotão de tanques do Regimento de Reconhecimento Mecanizado, formado por seis tanques, sob o comando de um primeiro-tenente.
16 horas 45 min. Radiopatrulha do Estado, com três homens da Polícia de Vigilância, se aproxima e conversa com o tenente dos tanques da Rua Gago Coutinho. O povo, estupefato, não entende de nada. Mais tarde, porém, se sobressalta. O oficial-comandante. O oficial-comandante ordena que avancem ao Palácio Guanabara. Sôbre as barricadas. O povo pensa que se trata do assalto ao Guanabara. Muitos correm, muitos se atiram ao chão. Mas para pouco depois, quando entendem a manobra, voltarem, para festejar os tanques que aderiram à causa revolucionária. Verdadeira multidão, que se encontrava às janelas dos edifícios, compreende logo o que se passa e aplaude o gesto das tropas federais que se bandeiam às fôrças revolucionárias. Uma chuva de papéis picados. Povo e tanques ultrapassando a barricada, até então indevassável. Alarido ensurdecedor.
Na esquina de Laranjeiras e Pinheiro Machado, cento e cinqüenta metros do Palácio do Govêrno Estadual, param três dos seis tanques. Desce sua tripulação (desarmada). Em seu interior apenas os motoristas.
Quando o Governador Carlos Lacerda desceu do Palácio Guanabara, protegido por sua guarda, os tanques estão à frente do Palácio. Guarnições marchando à sua frente. Canhões e metralhadoras desguarnecidos. Era a honrosa adesão. Adesão como passo para a pacificação sem sangue.
Cartas na mesa, a multidão aumenta em frente à sede do Govêrno da Guanabara. È quando chega a notícia de que os fuzileiros navais se aproximavam para atacar o Guanabara. Correria geral, enquanto os alto-falantes pediam que o povo se retirasse da linha de fogo. (E foi a debandada.) Para a retirada ser honrosa, divulgou-se que se tratava de tropas de navais que vinham apresentar sua adesão. Prestar continência ao Governador Carlos Lacerda. E a praça ficou vazia, com policiais e tanques em posição de um combate que não veio, pois a notícia de que os fuzileiros terríveis se aproximavam para o combate de vida ou morte não passou de rebate falso.
17 horas e 30 minutos. Deixemos a Cinelândia e as imediações do Palácio Guanabara. Praia do Flamengo, 132, sede da União Nacional dos Estudantes. Grupos de jovens atiravam bombas incendiárias (coquetel Molotov) para o interior da UNE, àquela altura abandonada pelos dirigentes da entidade estudantil. Tinham fugido, sob as vaias dos que se aproximavam do local. Ou mesmo pelos fundos, pelos telhados do prédio, para edifícios vizinhos. Precipitadamente. Duas atitudes: uma senhora acompanhou os acontecimentos da UNE com um comentário – “Vi arder na UNE uma permanente provocação aos sentimentos cívicos e democráticos dos cariocas”. Um senhor, cidadão muito sério, pediu licença para os policiais. E se aproximou: “Quero” – disse – “colocar amanhã, aqui, substituindo essa faixa em que os estudantes desafiam a ordem constituída, uma outra em que se leia que será instalada brevemente, neste mesmo lugar, uma escola”.
Mulheres e rapazes, em opinião unânime, diziam que nunca tinham visto um movimento com aquêle. “Êles pagaram” – diziam, contritos do que diziam. Apesar do que se disse, o incêndio não foi ateado dentro do próprio prédio, por quem lá se encontrava. Os dirigentes da União Nacional dos Estudantes livraram-se de livros e documentos, que forma incendiados e devolvidos para o interior do edifício em forma de tochas de fogo e objetos que se incendiava no interior das salas das entidades sob as siglas de UNE, AMES, UBES e outras.
Os policiais e bombeiros que pouco depois chegaram para combater o incêndio disseram que encontram nas salas da UNE armas e munições.
18 horas. É a vez do jornal Ultima Hora. Enquanto no dia anterior o Jornal do Brasil era invadido por fuzileiros, a Ultima Hora se mantinha intacta. Agora, desta vez, o vespertino, na Rua Sotero dos Reis, era atacado. Grupos arrombaram a porta da garagem, puxando as viaturas para a rua, depredaram-nas e atearam-lhes fogo. Escritórios, idem. Rotativas, idem. Depoimento de testemunhas: a Operação Ultima Hora foi obra de comandos. Em pouco mais de 15 minutos os depredadores executaram a sua obra. (Ignoravam a existência de um cabo de alta tensão que, se atingido, causaria danos de extensão imprevisíveis, chegando mesmo a sacrificá-los.)
O CARNAVAL
O dia 1º de abril foi de tráfego congestionado, avançado passo a passo, no Rio de Janeiro. Especialmente na Zona Sul. Quase duas horas para ir de Copacabana ao Leblon, percurso que se faz normalmente em meia hora. Madrugada de colisões.
Na praia de Botafogo três carros de passeio chocaram-se, em horas diferentes, contra postes e árvores. No Flamengo, um carro estadual, oficial, cujos ocupantes metralharam a sede da União Nacional dos Estudantes, estava completamente danificado. Colidira com um poste, após o atentado. Na Avenida Beira-Mar, duas Kombis chocaram-se contra um poste e uma árvore. Um carro de praça incendiou-se na Avenida Brasil, do juiz trabalhista Orlando Silva Oliveira, atropelava e matava uma doméstica na Rua Haddock Lôbo.
Filas extensas na Rua Barata Ribeiro e Av. Nossa Senhora de Copacabana. Casas comerciais, mercearias, bares, cafèzinhos, restaurantes, continuavam a atender ao público, normalmente, embora devagar e em grupos, pois entravam poucos consumidores nas lojas ao mesmo tempo.
Soldados do Exército patrulhavam as ruas, nas proximidades da praia, cujo ambiente era de otimismo, com populares se manifestado:
- Isso não vai dar em nada.
(Era o lugar-comum e denominador das crises brasileiras: a inclinação do brasileiro para resolver tudo sem sangue e que a calma devia prevalecer.) Na Rua Sá Ferreira meninos e meninas iam até a praia (aproveitando o feriado escolar de fato e de direito) buscar areia para barricadas. Populares, solidários ao Forte de Copacabana, que àquela hora já aderira, isolavam, com cordas, tôdas as ruas.
À tardinha. Dois tiros vinham do Leme. Era o sinal de vitória, que acionou o gatilho da explosão popular. E tudo se misturou na chuva, alegria e carnaval, refletidos nos olhos dos soldados que ocupavam o Forte de Copacabana, patrulhas do Pôsto Seis.
Uma história: homens, mulheres e crianças, empunhando bandeiras, lenços brancos, lençóis, comemoravam o que ficou sendo o carnaval da vitória. Das janelas dos apartamentos em tôda a Zona Sul, eram estendidos lençóis e colchas, numa homenagem à vitória da revolução.
E duas chuvas se misturaram no espaço: a que caía de muito alto, de água, e a de papéis picados.
E uma caravana de automóveis, buzinando, vespas nas avenidas e ruas de Copacabana, de Botafogo, do Jardim Botânico, do Leblon e Ipanema.
Era a festa da vitória.
(Matéria extraída de versão digitalizada disponível no site "memória viva")

segunda-feira, 8 de março de 2010

A História que Querem Apagar

Nestes dias, quando os episódios envolvendo o 31 de março de 1964 não mais se encontram vivos na memória da maioria e, o que é mais grave, seu registro histórico vem sendo feito de forma tendenciosa, faz-se importante levar aos mais jovens a narrativa dos fatos extraída das fontes de época.
Assim, este espaço reproduzirá algumas matérias jornalísticas e entrevistas, produzidas no calor dos fatos, que registram o exato sentimento que prevalecia na imensa maioria da sociedade brasileira. Tal publicação deverá servir, tão somente, para aguçar a curiosidade daqueles que escutam falar em ditadura e jamais ouviram sobre os riscos, reais, de que um grupo de pessoas, financiados pela extinta União
Soviética e seu tentáculo na América, representado por Cuba, estabelecessem no Brasil aquilo que, de fato, seria uma verdadeira ditadura totalitária.
A tentativa de manipulação da história é tão forte que comunistas tornaram-se apenas socialistas e suas ações, orientação e financiamento externo jamais foram, seriamente, investigados e expostos pela mídia.
Para aqueles que viveram ou conhecem a história, todo o conteúdo deste blog é desnecessário. Afinal, sabem da verdade - ainda que divulgadores da mentira. Para os mais jovens, que tal, a partir das notícias aqui divulgadas, partir para uma pesquisa séria e imparcial? Certamente, em tempos de rede mundial de computadores, não faz sentido usar camisas com fotos de personagens cuja sujeira foi escondida sob o tapete e cujas poéticas virtudes são pura manipulação da história.

Reportagem extraída de "O Cruzeiro", Edição Extra de 10 de abril de 1964 (versão digitalizada disponível no site www.memoriaviva.com.br)

"A Batalha do Guanabara

Durante um dia e uma noite, o Palácio da Guanabara e o Governador Carlos Lacerda foram nomes que representaram a resistência democrática na chamada “capital cultural e política” do País. Ninguém pregou ôlho. As horas transcorreram em regime de sentinela bem acordada, até que a vitória se desenhasse no céu do Rio.
Os tanques do Exército estavam no Largo do Machado. No Palácio da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda se mantinha em calma e em expectativa. Todo o secretariado presente. Eram 18,30 h do dia 31 de março.
O feriado escolar, depois de estudado, teve sua decretação feita às 23 horas. Cêrca de 300 oficiais das diversas armas se dirigiram para o Guanabara, a fim de solidarizar-se com o Governador. Meia-noite: sabe-se do movimento de tropas de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro. Junto à Igreja, um foguete (antitanque) é montado em longarinas de asa de avião. Aos 5 minutos chega o Senador Artur Bernardes Filho. O Governador se mantém em vigília e fala com o Jornalista Jules Dubois, de Miami, Estados Unidos, e dá a notícia da adesão do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Lacerda sai aos 35 minutos, acompanhado apenas pelo general Mandim, responsável pela segurança de Palácio, e inspeciona, até aos 55 minutos, os arredores. A uma hora da manhã, começaram a cortar os telefones da linha 25, que serve ao Guanabara, mas continuaram a funcionar três da linha 45,que passaram a ser utilizados pelo Governador. Às 2,45 h, corre em Palácio a notícia de que os fuzileiros navais iriam atacar. A expectativa prossegue até às 5 horas, quando entram mais 30 generais do Exército. Às 6,30h, nova notícia promoveu atitude semelhante, logo relaxada por saber-se que se tratava de umrebate falso.
O dia 1° de abril estava claro. Às 7,55h, o Governador Carlos Lacerda recebe o Manifesto dos Generais, que iria ser lido após o hasteamento da Bandeira Nacional, às 8 horas, através da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais. Às 8,30 h, Juracy Magalhães entra em Palácio e conferencia com Carlos Lacerda. Às 10,45h, o presidente do Tribunal de Justiça, Dr. Vicente Faria Coelho, chega e conferencia com o Chefe do Executivo. Às 13,15h, entra em Palácio o Sr. Armando Falcão. As notícias se aceleram. Às 16 horas, há o momento de maior emoção para o Governador Carlos Lacerda: tanques do Exército, que se encontravam no Palácio das Laranjeiras, estão agora guarnecendo o Palácio da Guanabara. O Chefe o Executivo carioca, ao ouvir a notícia, chora e exclama:
- Graças a Deus! Deus está conosco!
O carnaval da vitória
Foi uma reação em cadeia. Anunciada a viagem do Presidente a Brasília e a vitória das fôrças revolucionárias, milhares de pessoas saíam às ruas, gritando, pulando, discursando tamém, num verdadeiro carnaval. Grupos mais exaltados e tomados de fúria incendiaram o prédio da UNE, na Praia do Flamengo, quando os dirigentes comunistas da entidade já haviam desaparecido e abandonado a sua trincheira. Os mesmos grupos depredaram e incendiaram a “Ultima Hora”, na Praça da Bandeira. Isso foi um pouco de vingança e excesso condenável, pois a massa, o povo carioca, queria apenas viver aquelas horas de vitória e não vingar-se daqueles que tinham sido vencidos."

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Irã Diria a Verdade? E Lula ou Dilma?

O ano de 2010 será decisivo para o Brasil. Nos últimos oito anos o país experimentou certo desenvolvimento econômico - atribuído, por alguns, a qualidades do atual governo, e por outros, a aspectos da conjuntura mundial. Assim, não raro, surgem debates versando sobre pontos positivos e negativos dos períodos FHC e Lula - em particular pelas inegáveis diferenças no cenário internacional á época de cada um dos citados governos e, ainda, pela rigorosa continuidade na política econômica. Tais discussões, entretanto, assumem proporção menor quando analisado o quadro da próxima sucessão presidencial.
Acima de temas como economia e desenvolvimento, assume maior importância e gravidade a perceptível guinada à esquerda que vem sendo imprimida ao país - orientada, por absurdo que pareça, por uma ótica puramente ideológica, ultrapassada.
Fizesse parte dos planos da esquerda brasileira uma visão social e democrática, não seriam os modelos e parcerias escolhidos os mais radicais sob a visão político-ideológica. Além do radicalismo, outras características são comuns a tais paradigmas, como o insucesso na produção e distribuição de riqueza e, o que é mais grave, o total desrespeito á liberdade. Assim é que, nos modelos apontados pelo governo brasileiro, não há imprensa livre, liberdade de expressão ou garantias individuais - sem falar nas claras demonstrações de que suas lideranças representam grave risco para a paz dos povos.
Assim, justifica-se a preocupação quanto ano de 2010. Mais que a escolha de caminhos para o desenvolvimento econômico e social do país, poderá estar em jogo a mudança de parâmetros basilares da sociedade brasileira.
Caso pretenda coisa diferente, o atual governo deveria sinalizar, positivamente, no sentido do respeito à ordem democrática - mediante censura, não a imprensa, mais às figuras do governo que ainda sonham com uma revolução bolchevique ou com a luta de classes - estimulada a partir da revolta no campo.
Em resumo, muito faria o governo - em seu favor e em favor da sociedade - ao apresentar, claramente, sua proposta de futuro para o Brasil.
Infelizmente, assim como Mahmoud Ahmadinejad jamais dirá ao mundo, antecipadamente, a real destinação de seu urânio, Lula esconderá, até o momento do bote final, sua proposta totalitária para o Brasil.
Em outubro de 2010 o país poderá selar seu destino. A partir daí estaremos errados como a imensa maioria do mundo ou certos como os amigos de Lula.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Terremoto no Brasil

Ainda flutua no ar a poeira do desastre experimentado pelo povo haitiano e, como saído do mesmo pesadelo, o desastre visita o Chile. Em ambos os cataclismas, prevaleceu a vontade da natureza, a imprevisibilidade, a fatalidade.
O Brasil, abençoado pela sorte, encontra-se em área geologicamente mais segura. Idêntica sorte também o tem protegido de tantas outras manifestações violentas da natureza e, ao longo da história, manteve sua gente coesa, unida. Pelo menos até agora.
Mas ao que tudo indica uma catástrofe se avizinha. Sua força nasce da sensação de onipotência, da percepção de controle total do Estado e da massa de votos abertamente comprados por programas ditos sociais. Sua articulação dá-se pela ação do imenso contingente de antigos fracassados que adquire força e importância pela militância - mediante a manipulação dos instrumentos e vantagens decorrentes de seu exercício.
A passos largos, vai-se a prudência, caem os disfarces. A tese do discurso democrata é substituída pela aliança incondicional a ditadores sanguinários, que conduzem Nações como quem acumula combustível para expansão do ódio . Cada vez mais escorrega o país para os limites do radicalismo - bem à beira do abismo.
Abismo da fuga do capital e dos investimentos, da insegurança jurídica, das ameaças à livre iniciativa e ao direito de propriedade. Abismo do preconceito racial, das lutas de classes, da destruição de valores.
Concluído o processo, o efeito final será bem maior que o de um terremoto. Ainda que restem as edificações, a alma nacional estará mortalmente corrompida. Para quem não é capaz de imaginar o futuro, basta fazer como o Presidente: Visitar Cuba ou Venezuela.