Para aqueles que passarão parte do dia, ou do restante da semana, discutindo sobre as respostas deste ou daquele candidato e, particularmente, sobre aquele com melhor desempenho no primeiro debate havido na Band no dia de ontem, 26 de agosto, vai um pequeno alerta: Seria o cúmulo da ingenuidade imaginar a mínima honestidade na maioria das perguntas e respostas e, o mais grave, que cada um viesse a confessar, claramente, suas verdadeiras intenções para o Brasil.
As razões das afirmações feitas no parágrafo anterior são evidentes para aqueles que procuram conhecer o mínimo sobre o quadro político e, principalmente, ideológico, em formação no Brasil a partir do Governo de FHC. Significa dizer, fica óbvio para quem acredita que o país vive no rumo de um regime autoritário de orientação marxista - onde serão "relativizadas" as liberdades e garantias individuais, a propriedade privada e a economia de mercado - os objetivos de Dilma e Marina, aparentemente opostas em suas propostas.
Assim, excetuados os candidatos cuja perspectiva de vitória é tão pequena que não justificaria sequer sua inclusão no universo das preocupações dos brasileiros, ficaria de fora do grande projeto sendo firmemente colocado em prática pelo foro de São Paulo, criado por Lula e Fidel Castro, apenas Aécio Neves.
Aécio, é verdade, tem fortes raízes na concepção política de FHC e não poderia ser percebido como um verdadeiro liberal e, muito menos como conservador. Deveria fazer algum esforço para se desvencilhar da figura política de Fernando Henrique, responsável pelo câncer da reeleição para a presidência - que favorece a inúmeros dos graves problemas existentes no Brasil. Padece de um posicionamento claro contra o sonho coletivista da esquerda. Nesse sentido poderia se manifestar em defesa da livre iniciativa; em favor da autonomia para o Banco Central; da defesa da propriedade privada; contra as invasões de terras e a crise de autoridade estabelecida em face da inversão de valores que pretende igualar proprietários a criminosos invasores; favorável ao fim do estatuto do desarmamento e contrário à tese praticada pelos coletivistas de que pessoas honestas e cumpridoras das leis devam ter restringidos seus direitos em oposição ao conceito de que aqueles que cometam crimes devam ser rigorosa e exemplarmente responsabilizados; contra a divisão da sociedade em cotas e o estabelecimento de uma ditadura imposta por conceitos relacionados à sexualidade - sem esquecer um claro posicionamento contrário quanto às mentiras encerradas pela falsa comissão da verdade instituída por Dilma.
Certamente, a adoção de um posicionamento claro sobre os pontos acima talvez seja esperar demais de Aécio! Mas reside justamente nesse ponto o grande engodo para o qual a sociedade deve ser alertada! Não se encontra o Brasil em um momento democrático ou dotado de estruturas isentas e voltadas à busca de objetivos de Estado. O quadro é o de aparelhamento de suas mais importantes estruturas, inclusive dos Poderes Legislativo e Judiciário e, ainda, de boa parte da imprensa. O risco é de que tal processo de aparelhamento seja completado e, brevemente, já não se possa, sequer, defender abertamente as liberdades ou direitos ou sequer sonhar com a Justiça. Ante tal perspectiva, mostra-se uma tolice comparar propostas midiáticas apresentadas pelos candidatos. Importante é conhecer o engajamento de cada um com o projeto do foro de São Paulo ou com o estabelecimento de um governo autoritário bolivariano ou marxista - seja sob as rédeas do PT ou de Marina Silva (honestamente, é difícil acreditar que não sejam, na verdade, apresentações diferentes da mesma coisa). Sob tal ótica, votar em Aécio passa a ser a única alternativa, na esperança de que - ainda que esperadas grandes dificuldades representadas pela reação dos setores radicais instalados nas vísceras de todas as estruturas públicas e autarquias e dos paramilitares do PT (MST, black blocs e outros grupos) - possa o Brasil ser libertado do cancro petista-marxista.