Pontos de vista sobre a Política e sobre o papel de cada um em face de seu exercício. Particularmente, este espaço buscará abordar a percepção do autor sobre o papel dos militares e de segmentos liberais ante as ameaças de totalitarismo socialista em curso no Brasil.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pais Amorosos e Irresponsáveis

A cultura dos valores descartáveis, hoje predominante na sociedade, caminha, perigosamente, rumo a um futuro, no mínimo, assustador.
Se há poucas décadas, filhos herdavam relógios de seus pais e os valores relacionados à ética, moral - com claras definições sobre o certo e errado - eram aprendidos em casa, hoje não é mais assim.
Relógios são itens de consumo que, a cada dia, além de obsoletos, mostram-se rapidamente fora de moda. Valores, e sua transmissão aos filhos, também.
Afinal, se a vida exige cada vez mais tempo para a hercúlea tarefa de amealhar recursos para a aquisição de tantas banalidades e itens de conforto alçados à categoria de necessidades básicas e, se para tamanha empreitada, já não é possível que um dos pais permaneça em casa acompanhando, ainda que na fase inicial, o crescimento e a formação dos filhos, torna-se impossível perder tempo percebendo detalhes de personalidade ou moldar, pacientemente, virtudes e valores.
Mais fácil, para os pais, conquistar o amor e interesse dos filhos mediante o fornecimento de objetos de desejo e itens de conforto - cada vez mais passageiros. Computadores e outras novidades decorrentes do vertiginoso desenvolvimento da informática e da internet são os substitutos para diversões e conversas em família. Simplesmente por ocuparem o tempo e dominarem, mais que qualquer atividade, a atenção de crianças e jovens. Hoje, certamente, em muitas famílias, a formação dos filhos está entregue a creches e à internet - e não necessariamente nessa ordem. Até mesmo a velha babá tornou-se uma contribuição cada vez mais rara.
Ademais, para que a quase nenhuma relação entre pais e filhos não seja mais desgastada, optam os responsáveis pela não imposição de limites, exceção feita aos parâmetros financeiros e, eventualmente, relacionados à própria liberdade ou egoísmo dos adultos. As crianças podem tudo, exceto quebrar objetos caros de propriedade dos pais (caso sejam de propriedade dos amigos, dos vizinhos, do condomínio ou da prefeitura, é outra conversa e pode haver flexibilidade).
Em resumo, poder-se-ia dizer que filhos são adoráveis e queridos quando, para os pais, não impliquem em abdicação de rotinas individuais, de hábitos de trabalho e lazer. A partir desse ponto, começam a virar um problema. Educar filhos, igualmente, passa a ser interpretado, apenas, como dar-lhes preparo intelectual e ferramentas para a conquista de independência e sucesso pessoal sob a ótica da futura vida profissional. Acreditam muitos pais modernos que o atendimento a todas as demandas dos filhos e a falta de limites a suas vontades não produzirá qualquer frustração futura ou crises de valores ante eventuais fracassos, pequenos ou grandes.
Crianças que, sentadas nos colos dos pais, brincam com as buzinas dos carros, destroem patrimônio público ou privado, desrespeitam o silêncio ou o espaço delimitado pelo direito alheio, amanhã, adolescentes ou adultos, terão conceitos adequados sobre seus limites? Ou repetirão o absurdo de outros jovens que queimam, nas ruas, índios ou mendigos por diversão? Adianta, depois dos acidentes, chorar pela perda de filhos vitimados pelo abuso do álcool ou da velocidade ou, sob outro aspecto, criticar a corrupção que assume ares de regra geral nesse país? Certamente, para os crimes, existem as leis mas, no fundo dos comportamentos desajustados prevalecerá algum tipo de deficiência ética ou moral que deveria ter sido corrigida "de berço"!

Vencedores e Vencidos

Como infelizmente previsto, Lula foi reeleito...oops! Dilma foi eleita. Há que aceitar que prevalece, entre os brasileiros, o pensamento coletivista - embora a imensa maioria da sociedade sequer conheça o sentido de tal termo.

O fato, é que o Brasil escolheu, uma vez mais, o modelo mediante o qual o governo, representado pela figura de uma liderança carismática e imune a erros, corrupção e má-fé, conduzirá a vida nacional a seu destino prometido. O atual modelo, há quase uma década instalado, e já comum na história nacional, seguirá sendo municiado de todos os poderes que o permitam escolher os rumos do país, contando, para tanto, com carta branca da imensa maioria dos brasileiros para adotar todas as medidas vistas, sob a ótica particular, própria, desse mesmo grupo de poder, como necessárias.

Em troca de pequenos favores e grandes promessas, grande parte dos brasileiros - anestesiados, apáticos, iludidos, oportunistas ou fanáticos - mesmo que incapazes de situar-se politicamente, seguem dispostos à cessão de liberdades, duramente conquistadas ao longo da história da humanidade e do país, em nome da democracia social ou do socialismo democrático que ninguém, de verdade, já viu ou experimentou exitosamente.

Na verdade, para um imenso contingente de abandonados, vítimas de inúmeros erros e, não em poucos casos, das próprias escolhas, poucas diferenças existem entre democracia e autoritarismo, coletivismo ou liberalismo. Importa, sim, o cardápio diário garantido e alguns sonhos a mais prometidos. Trabalhar e produzir, contribuindo para o progresso já seria outra história.

Por outro lado, a outro grupo, constituído por empresários e grupos financeiros amigos do governo, nacionais ou estrangeiros, interessa, somente, a assinatura de novos ou a manutenção de velhos contratos e acordos - que lhes assegure expressivas fatias de lucro, gordura de sobra que faz brilhar balancetes e administradores, enche contas pessoais de executivos, políticos e burocratas e, perigosamente, quase sempre em prejuízo da riqueza nacional, dos cofres públicos. Este grupo também ignora os perigos que o modelo político, travestido de econômico, representa à liberdade e ao progresso. Afinal, acesa a luz vermelha, simplesmente abandonarão o barco - já assegurados seus ganhos.

Finalmente, resta o grupo remanescente, integrado por aqueles que pagam os impostos e sustentam a esbórnia dos burocratas integrantes da nomenklatura, dos políticos (e seus filhos) corruptos e capitalistas associados. São capitalistas sérios e a classe média, segmento ainda percebido como os odiados burgueses de Karl Marx - e, portanto, merecedores de todos os males. Contra esse grupo se dirige toda mágoa e maldade dos donos da verdade aboletados no comando da Nação.

Assim, no ímpeto de destruir os valores “burgueses”, parte o governo como o grande maestro de diversas políticas, públicas ou privadas (apadrinhadas), contra a própria sociedade.

Assim, não visa a lei da palmada impedir a agressão dos filhos pelos pais. Afinal, contra a violência não faltam leis. Busca, sim, um instrumento capaz de permitir, aqui, a repetição de um modelo comunista, brutal e vergonhosamente experimentado na China e na URSS, de patrulhamento da família por seus próprios membros, onde os filhos denunciam os pais. Com isso, pretende a lei, maquiavelicamente, estremecer as bases da estrutura familiar, pilar da verdadeira educação e formação dos cidadãos.

Do mesmo modo, orquestram os mesmos criminosos rupturas sociais mediante o acirramento de preconceitos de raça, credo religioso e, mais recentemente, com base no substrato emocional decorrente das opções sexuais mais ou menos praticadas.

Democracia não é o mesmo que ditadura da maioria e a defesa das minorias, tampouco, deve implicar em sua imposição à maioria. Os aspectos pessoais, devem ser mantidos como pessoais e afastados da política. De outro modo, não muito distante, surgirão novos loucos poderosos como Hitler, Mussolini, Franco, Perón, Fidel, Guevara e tantos outros - que, sob o argumento da defesa de valores travestidos de ideais, levarão milhões à morte e ao sofrimento.

O Brasil deve estar atento. Os maiores crimes contra a humanidade não foram praticados por oportunistas ou criminosos convencionais e, sim, por pessoas aparentemente comuns que, por diversos fatores, alçadas ao poder, tiveram a oportunidade de impor suas convicções pessoais sobre a verdade e sobre o caminho a ser percorrido pelos demais a todo o grupo à sua volta.