Pontos de vista sobre a Política e sobre o papel de cada um em face de seu exercício. Particularmente, este espaço buscará abordar a percepção do autor sobre o papel dos militares e de segmentos liberais ante as ameaças de totalitarismo socialista em curso no Brasil.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Nem Prática Nem Habilidade

Que estranhas razões orientam a política externa brasileira? Afinal, em uma realidade na qual China cresce (e necessita crescer), anualmente, a patamares próximos a dois dígitos e as demais economias do planeta buscam superar a concorrência para a sobrevivência de seus mercados, a quem poderia interessar qualquer instabilidade política, e econômica, mundial?

Assim, não há surpresa alguma no consenso entre as maiores economias mundiais sobre a necessidade de que Teerã apresente claras e irrefutáveis provas de que não pretenda aventurar-se na construção de armas nucleares. Afinal, em que pese o fato de que o círculo dos países possuídores de capacidade nuclear tenha sido fechado de forma quase impositiva, há que ser dito que, com raras exceções (e relacionadas a regimes não democráticos), tem havido certa responsabilidade quanto às políticas de uso do poder de dissuasão nuclear. Por outro lado, teria a humanidade direito a alguma tranquilidade caso radicais tivessem acesso a esses armamentos? Sobre tal questionamento, é certo que nenhuma das potências arriscaria o equilíbrio mundial, com forte base econômica, na defesa de direitos iguais para todos.

Difícil compreender como um país que planeja crescer mais de seis por cento no ano em curso possa acreditar que, mediante o fortalecimento de ideologias radicais ou regimes onde as decisões, longe de passarem por processo democrático ponderado, sejam oriundas de convicções individuais, poderia haver qualquer avanço para a humanidade.

Quem gostaria de firmar contrato com uma empresa cujo presidente, a todo momento, afirme ser conduzido, unicamente, por suas convicções pessoais - classificando todo o universo entre amigos, parceiros ou inimigos segundo os critérios do próprio umbigo? Pois é, o mesmo vale para a sociedade das nações.

E para que lado está sendo conduzido o Brasil nessa questão?

Logo Saberemos a Verdade

O mundo assiste, impotente, ao recrudescimento do antagonismo entre as duas Coréias - motivado pelo autoritarismo e megalomania do governo socialista do Norte.
Enquanto isso, desligado da realidade e dos riscos decorrentes das polarizações ideológicas mais exacerbadas, insiste o Brasil em manter sua opção pelo alinhamento com as mais violentas ditaduras da atualidade - ao que tudo indica, motivado pela aversão aos Estados Unidos por parte dos ex-guerrilheiros comunistas que integram o governo.
Infelizmente, para a sociedade brasileira, a quase nenhuma independência entre os Poderes, a perigosa presença de militantes dos partidos da base do governo nos órgãos e empresas públicos, bem como nas empresas sob seu controle direto ou indireto e, ainda, a forte influência exercida sobre a mídia, impedem o questionamento da caminhada resoluta do país na trilha do modelo venezuelano - tendo como meta a "democracia" castrista.
E como não fosse suficiente o patrulhamento político-ideológico e o uso das estruturas de Estado para perseguição da oposição, hoje tratada como os dissidentes do período mais duro da era Vargas, a corrupção parece estar institucionalizada sob o pretexto de um "esforço" com fins políticos. O fato é que, para os mais altos escalões do governo, e respectivas famílias, a riqueza repentina é rotineira e entendida como inquestionável. As investigações dos escândalos que chegam ao domínio público é ineficiente e protelada até o esquecimento dos episódios ou sua substituição por cortinas de fumaça construidas por novidades tratadas com cuidadoso e competente sensacionalismo. Sem falar nas polpudas indenizações e pensões pagos, pelo erário, a alegadas vítimas da repressão política que, assim, demonstram a verdadeira lacuna moral e ética motivadora de suas falsas orientações ideológicas.
Países que viveram retrocesso semelhante experimentaram a fuga das grandes empresas, o fechamento das montadoras de automóveis, a ruína das indústrias de base e a decadência violenta da economia - em processo cuja reversão é difícil, senão inviável, em tempos onde a competitividade permite não espaço a erros.
Resta saber se o ranço pela derrota sofrida quando da tentativa de implantação de um regime comunista havido nos anos sessenta e o ódio pelos Estados Unidos serão capazes de justificar a destruição de um Brasil cujas classes produtoras e média insistem em manter de pé, a despeito de tanto esforço no sentido da destruição de seus valores.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Seria a Volta do Estado Novo?

Esta semana, notícias divulgadas na página do Jornalista Cláudio Humberto, dão conta de que o Governo Federal teria articulado a quebra de sigilo fiscal de militares do Exército.
Embora o fato tenha sido negado por autoridades daquela Força Armada, a denuncia vem a juntar-se a outros episódios pouco esclarecidos relacionados ao uso da estrutura pública contra desafetos do grupo político dominante. Como bom exemplo, pode ser citada a controvérsia sobre suposto encontro havido entre Dilma Rousseff e a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira - onde a Ministra teria solicitado a agilização de processo investigatório contra o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.
Outros procedimentos de grande publicidade envolvendo operações da Polícia Federal levadas à efeito durante o atual governo, bem como a não divulgação de satisfações à sociedade sobre apurações sérias e a identificação de culpados relacionados ao assassinado de Celso Daniel, ao caso dos dólares apreendidos por ocasião da última campanha, ao "imbroglio" envolvendo a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa - relacionada à figura de Palocci provocam, no mínimo, grande preocupação.
Afinal, em que pese a falta de comprovação sobre a existência de ingerências políticas nos fatos citados, não há como ignorar tais indícios e os riscos de que o país possa ser conduzido a práticas comuns na "era" Vargas ou nas ditaduras fascistas e comunistas havidas na Europa do Século passado e hoje sendo ressucitadas em países como Venezuela e Irã.
A destinação dos governos deverá ser, sempre, a felicidade e a máxima liberdade possível do cidadão. Não há que ser justificado o uso da máquina do Estado contra seus inimigos no campo político-ideológico - exceto ante a prática de atos tipificados, previstos em lei. Que democracia seria aquela que venha a pretender o fim das liberdades e garantias individuais? Afinal, fazendo uma analogia simplória, quem é autoritário nas pequenas coisas, certamente o será nas grandes causas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Reinaldo Azevedo - Imperdível!

Absurdo sem Fim
Por Reinaldo Azevedo
Segunda-Feira, 03 de maio


Alguém está surpreso com o fato de Lula fazer pressão contra o governo de Honduras, tentando lhe impor uma agenda, como se aquele país não tivesse, além do Executivo, um Judiciário, um Congresso e um Ministério Público? Como aqui se disse tantas vezes, de todas as besteiras feitas pela diplomacia brasileira, Honduras foi a mais evidente, a que foi compreendida com maior clareza.

Lula, o grande amante da democracia, está esquentando os motores para se encontrar com Mahmoud Ahmadinejad — aquele, sim, um grande democrata, cuja eleição, como sabemos, esteve acima de qualquer suspeita. O grande amigo dos irmãos Castro, parceiro de Hugo Chávez e incentivador de Evo Morales não tem ainda certeza sobre a democracia em Honduras, que realizou eleições limpas e evitou, com a sua Constituição democraticamente votada e instituída, um golpe de estado bolivariano.

O presidente que se nega a reconhecer o governo de Honduras e que incita outros a fazerem o mesmo foi um dos grandes defensores do fim da resolução que impedia o retorno da tirania cubana à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Lula dá seqüência ao comportamento detestável de seu governo na crise hondurenha:
1 - negou-se a reconhecer que a deposição de Manuel Zelaya era constitucional;
2 - apoiou a iniciativa de Chávez, que invadiu o espaço aéreo hondurenho para tentar reinstalar Zelaya no poder na base do porrete;
3 - participou da conspirata que instalou Zelaya na embaixada brasileira, levando ao país o risco da guerra civil; só não aconteceu nada porque o chapeludo era odiado pela esmagadora maioria dos hondurenhos;
4: comandou a defesa de pesadas sanções àquele país miserável — no caso do Irã nuclear, diz aos quatro ventos que sanções só punem o povo;
5: negou-se a reconhecer o processo eleitoral;
6: nega-se a reconhecer o resultado das eleições.

Qual é a justificativa oficial? Não se pode, diz, endossar um governo que nasce de um golpe de estado. Todos sabemos que não houve golpe em Honduras. Mas digamos que tivesse havido: e endossar governos que nascem de golpes dados com o auxílio das urnas? Isso pode?

Além da questão propriamente ideológica, que hoje marca o Itamaraty, a perseguição ao governo hondurenho tem raízes na tola ambição do governo brasileiro de afrontar os Estados Unidos. A coisa é simples e tacanha assim: “Se Washington reconhece, então nós não reconhecemos”.

A eleição hondurenha não derramou uma gota de sangue e não custou uma vida. A do Irã mandou adversários de Ahmadinejad para a forca. O presidente do Irã merece o apreço de Lula; o de Honduras, ele trata como usurpador. Um governo nascido do voto é tratado como pária; a ditadura cubana, que se sustenta com a polícia política, é paparicada. É fato que ele atingiu o seu ápice quando comparou presos políticos a bandidos comuns. Mas a reiteração da estupidez não deixa de espantar.