Que estranhas razões orientam a política externa brasileira? Afinal, em uma realidade na qual China cresce (e necessita crescer), anualmente, a patamares próximos a dois dígitos e as demais economias do planeta buscam superar a concorrência para a sobrevivência de seus mercados, a quem poderia interessar qualquer instabilidade política, e econômica, mundial?
Assim, não há surpresa alguma no consenso entre as maiores economias mundiais sobre a necessidade de que Teerã apresente claras e irrefutáveis provas de que não pretenda aventurar-se na construção de armas nucleares. Afinal, em que pese o fato de que o círculo dos países possuídores de capacidade nuclear tenha sido fechado de forma quase impositiva, há que ser dito que, com raras exceções (e relacionadas a regimes não democráticos), tem havido certa responsabilidade quanto às políticas de uso do poder de dissuasão nuclear. Por outro lado, teria a humanidade direito a alguma tranquilidade caso radicais tivessem acesso a esses armamentos? Sobre tal questionamento, é certo que nenhuma das potências arriscaria o equilíbrio mundial, com forte base econômica, na defesa de direitos iguais para todos.
Difícil compreender como um país que planeja crescer mais de seis por cento no ano em curso possa acreditar que, mediante o fortalecimento de ideologias radicais ou regimes onde as decisões, longe de passarem por processo democrático ponderado, sejam oriundas de convicções individuais, poderia haver qualquer avanço para a humanidade.
Quem gostaria de firmar contrato com uma empresa cujo presidente, a todo momento, afirme ser conduzido, unicamente, por suas convicções pessoais - classificando todo o universo entre amigos, parceiros ou inimigos segundo os critérios do próprio umbigo? Pois é, o mesmo vale para a sociedade das nações.
E para que lado está sendo conduzido o Brasil nessa questão?
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Há 5 anos