A cultura dos valores descartáveis, hoje predominante na sociedade, caminha, perigosamente, rumo a um futuro, no mínimo, assustador.
Se há poucas décadas, filhos herdavam relógios de seus pais e os valores relacionados à ética, moral - com claras definições sobre o certo e errado - eram aprendidos em casa, hoje não é mais assim.
Relógios são itens de consumo que, a cada dia, além de obsoletos, mostram-se rapidamente fora de moda. Valores, e sua transmissão aos filhos, também.
Afinal, se a vida exige cada vez mais tempo para a hercúlea tarefa de amealhar recursos para a aquisição de tantas banalidades e itens de conforto alçados à categoria de necessidades básicas e, se para tamanha empreitada, já não é possível que um dos pais permaneça em casa acompanhando, ainda que na fase inicial, o crescimento e a formação dos filhos, torna-se impossível perder tempo percebendo detalhes de personalidade ou moldar, pacientemente, virtudes e valores.
Mais fácil, para os pais, conquistar o amor e interesse dos filhos mediante o fornecimento de objetos de desejo e itens de conforto - cada vez mais passageiros. Computadores e outras novidades decorrentes do vertiginoso desenvolvimento da informática e da internet são os substitutos para diversões e conversas em família. Simplesmente por ocuparem o tempo e dominarem, mais que qualquer atividade, a atenção de crianças e jovens. Hoje, certamente, em muitas famílias, a formação dos filhos está entregue a creches e à internet - e não necessariamente nessa ordem. Até mesmo a velha babá tornou-se uma contribuição cada vez mais rara.
Ademais, para que a quase nenhuma relação entre pais e filhos não seja mais desgastada, optam os responsáveis pela não imposição de limites, exceção feita aos parâmetros financeiros e, eventualmente, relacionados à própria liberdade ou egoísmo dos adultos. As crianças podem tudo, exceto quebrar objetos caros de propriedade dos pais (caso sejam de propriedade dos amigos, dos vizinhos, do condomínio ou da prefeitura, é outra conversa e pode haver flexibilidade).
Em resumo, poder-se-ia dizer que filhos são adoráveis e queridos quando, para os pais, não impliquem em abdicação de rotinas individuais, de hábitos de trabalho e lazer. A partir desse ponto, começam a virar um problema. Educar filhos, igualmente, passa a ser interpretado, apenas, como dar-lhes preparo intelectual e ferramentas para a conquista de independência e sucesso pessoal sob a ótica da futura vida profissional. Acreditam muitos pais modernos que o atendimento a todas as demandas dos filhos e a falta de limites a suas vontades não produzirá qualquer frustração futura ou crises de valores ante eventuais fracassos, pequenos ou grandes.
Crianças que, sentadas nos colos dos pais, brincam com as buzinas dos carros, destroem patrimônio público ou privado, desrespeitam o silêncio ou o espaço delimitado pelo direito alheio, amanhã, adolescentes ou adultos, terão conceitos adequados sobre seus limites? Ou repetirão o absurdo de outros jovens que queimam, nas ruas, índios ou mendigos por diversão? Adianta, depois dos acidentes, chorar pela perda de filhos vitimados pelo abuso do álcool ou da velocidade ou, sob outro aspecto, criticar a corrupção que assume ares de regra geral nesse país? Certamente, para os crimes, existem as leis mas, no fundo dos comportamentos desajustados prevalecerá algum tipo de deficiência ética ou moral que deveria ter sido corrigida "de berço"!
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Há 5 anos
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