Realmente preocupante a atitude da sociedade brasileira em face das eleições de outubro. A despeito da clara
sinalização de que o PT planeja consolidar sua condição de partido hegemônico e
de intensificar o forte processo de aparelhamento do Estado - que já atingiu,
como é da percepção geral, até mesmo o STF, parece que a sociedade segue
acreditando em Papai Noel.
Não se trata de especulação, trata-se da
simples observação de fatos concretos. Acaso há que julgue sem importância ou pouco eloquentes os
discursos de Lula e Dilma durante eventos do foro de São Paulo, nas
comemorações do aniversário da revolução cubana ou durante as comemorações que
marcaram os dez anos do PT no poder? Não há que interpretar ou ler nas
entrelinhas - os recados são claros... O plano é seguir fazendo hoje, mediante outras
ferramentas, aquilo que não foi possível no passado e transformar a América
Latina em um grande bloco de esquerda... socialista! Será preciso desenhar?
Para os românticos e ingênuos, é bom
refletir sobre o fato de que socialistas, ou progressistas, adoram o discurso
da distribuição da renda, da igualdade social, do resgate da cidadania. Somente
evitam dizer, clara e positivamente, como pagar a conta, ou seja, como produzir
a riqueza capaz de promover o desenvolvimento necessário a tais conquistas.
Observem que o discurso ocorre, invariavelmente, no sentido inverso ao do
estímulo à livre iniciativa, à propriedade privada, ao capital e, segue
pregando um Estado gestor e capaz de produzir riquezas. Alguem conhece
experiências bem sucedidas nesse sentido? Citar a China somente evidenciaria
total desprezo pela democracia, pelos direiros, garantias e liberdades individuais! E olhe
que até mesmo a OAB tem respaldado um governo que diz, abertamente, que Cuba é
um modelo de democracia!
Ora, não há que ficar assustado com as
ações dos comunistas, que, hodiernamente, se autodenominam socialistas,
defensores dos direitos humanos e, pasmem, até mesmo democratas... Merece mesmo
preocupação, como é afirmado no início do texto, a ingenuidade daqueles que
defendem valores liberais e a democracia; que acreditam na importância do
mérito, do trabalho e do esforço individual na construção de riquezas; que abominam
a exploração da miséria, da ignorância e da preguiça. Surpreende que subindo os
degraus do patíbulo, sigam ignorando quem serão os verdugos a ceifar-lhes as
cabeças e perdendo preciosa energia e poder discutindo se o candidato da oposição
tem estes ou aqueles defeitos... Acordem, não se trata de escolher entre Tomás
de Aquino ou Agostinho... A escolha que se apresenta é entre o demônio e
qualquer um que lhe possa fazer frente por algum tempo... Pelo menos até que todos se apercebam do monstro gestado nesta terra onde tudo foi dado ao homem, mas
parece haver faltado homens de caráter e senso moral para habitá-la. A atitude
da sociedade diante da desgraça que se aproxima faz crer que, de fato, este é o
país de Macunaíma, o herói sem caráter profeticamente imaginado por Mário de
Andrade.
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