Ricardo Linhares
(Autor de Novelas)
Lula no Oriente
"Lula leva o País a vexame internacional por sua obstinação em se promover"
O Brasil passou por uma situação constrangedora durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio. O embaraço não foi causado só pela habitual grosseria dos atuais dirigentes do Itamaraty, que produziu as gafes diplomáticas de praxe, como a recusa em homenagear o escritor Theodor Herzl.
O presidente brasileiro agiu como se ninguém jamais houvesse se preocupado em conversar com israelenses e palestinos antes. Como se o mundo só aguardasse a sua interferência para promover a paz na região. Sua tentativa de mediar o conflito foi um vexame.
Lula é tão primário que afirmou que houve “alguma coisa mágica” na crise entre Estados Unidos e Israel, motivada pelo projeto de construção de casas para colonos judeus na parte oriental de Jerusalém. Como o entrevero ocorreu com pouco intervalo de tempo entre a visita do vice-presidente americano e a do dirigente brasileiro, Lula achou que a coincidência “mágica” ajudaria na criação do Estado palestino.
Se o presidente brasileiro tivesse bons conselheiros internacionais, poderiam lhe explicar que não há mágica no mundo adulto. Mas o chanceler Celso Amorim e o assessor especial Marco Aurélio Garcia são vítimas de antiamericanismo estudantil, que lhes tolhe a visão global do mundo. Os casos de Honduras, do Irã e de Cuba mostram as equivocadas escolhas da política externa petista.
É patética a intenção personalista e messiânica de Lula de se autopromover internacionalmente, a qualquer preço. O Brasil nada tem a acrescentar ao conflito no Oriente Médio, entre israelenses e palestinos. O presidente Lula deve ter assuntos internos mais importantes a tratar, como, por exemplo, a disputa pelos royalties do petróleo entre estados e municípios.
(Publicado em "O Dia", terça-feira, 23 de março de 2010).
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