Pontos de vista sobre a Política e sobre o papel de cada um em face de seu exercício. Particularmente, este espaço buscará abordar a percepção do autor sobre o papel dos militares e de segmentos liberais ante as ameaças de totalitarismo socialista em curso no Brasil.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A História que Querem Apagar

Nestes dias, quando os episódios envolvendo o 31 de março de 1964 não mais se encontram vivos na memória da maioria e, o que é mais grave, seu registro histórico vem sendo feito de forma tendenciosa, faz-se importante levar aos mais jovens a narrativa dos fatos extraída das fontes de época.
Assim, este espaço reproduzirá algumas matérias jornalísticas e entrevistas, produzidas no calor dos fatos, que registram o exato sentimento que prevalecia na imensa maioria da sociedade brasileira. Tal publicação deverá servir, tão somente, para aguçar a curiosidade daqueles que escutam falar em ditadura e jamais ouviram sobre os riscos, reais, de que um grupo de pessoas, financiados pela extinta União
Soviética e seu tentáculo na América, representado por Cuba, estabelecessem no Brasil aquilo que, de fato, seria uma verdadeira ditadura totalitária.
A tentativa de manipulação da história é tão forte que comunistas tornaram-se apenas socialistas e suas ações, orientação e financiamento externo jamais foram, seriamente, investigados e expostos pela mídia.
Para aqueles que viveram ou conhecem a história, todo o conteúdo deste blog é desnecessário. Afinal, sabem da verdade - ainda que divulgadores da mentira. Para os mais jovens, que tal, a partir das notícias aqui divulgadas, partir para uma pesquisa séria e imparcial? Certamente, em tempos de rede mundial de computadores, não faz sentido usar camisas com fotos de personagens cuja sujeira foi escondida sob o tapete e cujas poéticas virtudes são pura manipulação da história.

Reportagem extraída de "O Cruzeiro", Edição Extra de 10 de abril de 1964 (versão digitalizada disponível no site www.memoriaviva.com.br)

"A Batalha do Guanabara

Durante um dia e uma noite, o Palácio da Guanabara e o Governador Carlos Lacerda foram nomes que representaram a resistência democrática na chamada “capital cultural e política” do País. Ninguém pregou ôlho. As horas transcorreram em regime de sentinela bem acordada, até que a vitória se desenhasse no céu do Rio.
Os tanques do Exército estavam no Largo do Machado. No Palácio da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda se mantinha em calma e em expectativa. Todo o secretariado presente. Eram 18,30 h do dia 31 de março.
O feriado escolar, depois de estudado, teve sua decretação feita às 23 horas. Cêrca de 300 oficiais das diversas armas se dirigiram para o Guanabara, a fim de solidarizar-se com o Governador. Meia-noite: sabe-se do movimento de tropas de São Paulo em direção ao Rio de Janeiro. Junto à Igreja, um foguete (antitanque) é montado em longarinas de asa de avião. Aos 5 minutos chega o Senador Artur Bernardes Filho. O Governador se mantém em vigília e fala com o Jornalista Jules Dubois, de Miami, Estados Unidos, e dá a notícia da adesão do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Lacerda sai aos 35 minutos, acompanhado apenas pelo general Mandim, responsável pela segurança de Palácio, e inspeciona, até aos 55 minutos, os arredores. A uma hora da manhã, começaram a cortar os telefones da linha 25, que serve ao Guanabara, mas continuaram a funcionar três da linha 45,que passaram a ser utilizados pelo Governador. Às 2,45 h, corre em Palácio a notícia de que os fuzileiros navais iriam atacar. A expectativa prossegue até às 5 horas, quando entram mais 30 generais do Exército. Às 6,30h, nova notícia promoveu atitude semelhante, logo relaxada por saber-se que se tratava de umrebate falso.
O dia 1° de abril estava claro. Às 7,55h, o Governador Carlos Lacerda recebe o Manifesto dos Generais, que iria ser lido após o hasteamento da Bandeira Nacional, às 8 horas, através da Rádio Inconfidência, de Minas Gerais. Às 8,30 h, Juracy Magalhães entra em Palácio e conferencia com Carlos Lacerda. Às 10,45h, o presidente do Tribunal de Justiça, Dr. Vicente Faria Coelho, chega e conferencia com o Chefe do Executivo. Às 13,15h, entra em Palácio o Sr. Armando Falcão. As notícias se aceleram. Às 16 horas, há o momento de maior emoção para o Governador Carlos Lacerda: tanques do Exército, que se encontravam no Palácio das Laranjeiras, estão agora guarnecendo o Palácio da Guanabara. O Chefe o Executivo carioca, ao ouvir a notícia, chora e exclama:
- Graças a Deus! Deus está conosco!
O carnaval da vitória
Foi uma reação em cadeia. Anunciada a viagem do Presidente a Brasília e a vitória das fôrças revolucionárias, milhares de pessoas saíam às ruas, gritando, pulando, discursando tamém, num verdadeiro carnaval. Grupos mais exaltados e tomados de fúria incendiaram o prédio da UNE, na Praia do Flamengo, quando os dirigentes comunistas da entidade já haviam desaparecido e abandonado a sua trincheira. Os mesmos grupos depredaram e incendiaram a “Ultima Hora”, na Praça da Bandeira. Isso foi um pouco de vingança e excesso condenável, pois a massa, o povo carioca, queria apenas viver aquelas horas de vitória e não vingar-se daqueles que tinham sido vencidos."

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