Apesar do registro histórico de participações destacadas de expoentes das Forças Armadas no processo político brasileiro, experiências contemporâneas fizeram com que o interesse por essa atividade caminhasse em sentido contrário ao rumo, hoje, imprescindível.
Assim que, a partir dos anos 60, à exceção dos chefes militares envolvidos no governo, os militares foram estimulados ao entendimento da atividade política como incompatível com os quartéis.
De fato, tal percepção não é verdadeira. Obviamente, o envolvimento político-partidário dos militares, em especial com reflexos intra-muros, mostra-se extremamente danoso às estruturas basilares da caserna. Entretanto, é inegável que a articulação e a prática políticas constituem-se, atualmente, no principal instrumento de condução da sociedade e, via de consequência, para o direcionamento do futuro de suas instituições.
Como exemplo desse fato, podem ser citados a criação do Ministério da Defesa; a forma de condução dos temas de interesse das Forças Armadas nos governos Fernando Henrique e Lula e, mais recentemente, a aprovação, na Câmara dos Deputados, de projeto que modifica a estrutura nacional de Defesa e aumenta o poder do ministro da Defesa - subordinando ao MD, e não mais ao presidente da República, a indicação dos comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha. Sem falar no PNDH3, cujo teor representa grave dano ao país e ao papel dos militares.
Certamente, caso as forças armadas não despertem para seu potencial político - fruto de sua credibilidade e compromisso histórico com a sociedade - muitas outras mudanças, ainda mais nocivas, seguirão sendo implantadas, intencional e planejamente, contra a democracia e, vigativamente, contra os militares.
Convém lembrar que, enquanto existem discursos e vontades no sentido da extinção de direitos históricos e plenamente justificáveis dos militares, hoje apartados das "carreiras de Estado", estas últimas, bem como outras atualmente "interessantes" ao governo, seguem conquistando os mesmos direitos, como a paridade entre ativos e inativos, pensões integrais, dentre outros.
Paralelamente à necessidade do estabelecimento de estratégias comuns de articulação de sua força política na atividade político-partidária, as Forças Armadas deverão exercer sua capacidade política, alicerçada em seu reconhecimento pela sociedade, em sua união, preparo e capacidade de mobilização - no sentido da pressão pela defesa de seus interesses.
Omitir-se quando o momento exige posição firme poderá significar a rachadura capaz de, em pouco tempo, lograr o desmantelamento daquelas que são um dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Afinal, historicamente, as Forças Armadas tem sido, no Brasil, sustentáculo da democracia e da paz social.
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Há 5 anos
"Senhor, umas casas existem, no vosso reino onde homens vivem em comum, comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um toque de corneta, se levantam para obedecer. De noite, a outro toque de corneta, se deitam obedecendo. Da vontade fizeram renúncia como da vida.
ResponderExcluirSeu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmo são generosos, facilmente esplêndidos. A beleza de suas ações é tão grande que os poetas não se cansam de a celebrar. Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por militares...
Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que comem; como se os cobres do pré pudessem pagar a liberdade e a vida. Publicistas de vista curta acham-nos caros demais, como se alguma coisa houvesse mais cara que a servidão.
Eles, porém, calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si mesma. Pelo preço de sua sujeição, eles compram a liberdade para todos e os defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fizeram, algum dia o farão. E, desde hoje, é como se o fizessem.
Porque, por definição, o homem da guerra é nobre. E quando ele se põe em marcha, à sua esquerda vai coragem, e à sua direita a disciplina".
(MONIZ BARRETO - Carta a El-Rei de Portugal, 1893).