Pontos de vista sobre a Política e sobre o papel de cada um em face de seu exercício. Particularmente, este espaço buscará abordar a percepção do autor sobre o papel dos militares e de segmentos liberais ante as ameaças de totalitarismo socialista em curso no Brasil.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Estaria, de fato, tudo dominado?

Quem pensou que a batalha iniciada com a derrota do Poder Executivo, no Senado Federal, relacionada a uma indicação para alto cargo público significaria um sinal de esperança na marcha firme do país rumo a uma ditadura petista deveria conter as esperanças.

Uma evidência segura sobre a fragilidade de qualquer sentimento de esperança foi a guinada havida na mais alta corte do Judiciário, representada pela marcha à ré aplicada na interpretação sobre a medida provisória de criação do Instituto Chico Mendes e que poderia, finalmente, colocar algum freio na sanha do Executivo em assumir função legislativa.

A cautela se justifica. A resposta do Executivo tem sido rápida e fulminante. Afinal, contando com ampla maioria no Congresso, com a fidelidade de seus Ministros no STF e inesgotáveis recursos econômicos, que tipo de força poderia ser contraposta à vontade do grupo que detém, de forma como jamais vista antes na história deste país, o controle sobre a vida e a vontade nacionais?

Pouco depois da manifestação de rebeldia do Senado, curiosa e coincidentemente, um dos maiores jornais do país publicava matérias de primeira página, em dias consecutivos, capazes de, acima de qualquer outro efeito, desmoralizar seriamente o Senado. Não é que o Senado seja perfeito e não necessite medidas de correção de rumo, mas é estranho o momento em que os ataques acontecem. De observar que também o Judiciário e, acima de tudo, o Executivo possuem telhado de vidro e mereceriam, igualmente, matérias jornalísticas fortes - fundadas em falecido espírito investigativo. São inúmeros fatos obscuros e cuidadosamente omitidos da mídia, relacionados a importantes figuras políticas, e seus filhos, que enriquecem do dia para a noite; são escândalos como o “mensalão” e as quebras de sigilo; são assassinatos, como o do Prefeito Celso Daniel; são acordos financeiros e empréstimos suspeitos a países “hermanos” e, ainda, o apoio diplomático a reconhecidas ditaduras... Tudo isso para não citar outras dezenas ou centenas de denúncias já banalizadas e objeto de investigações sobre as quais nada se ouve! De fato, não faltaria o que apurar no Executivo.

Não se busca, no parágrafo anterior, a defesa de Senadores que não deveriam estar onde se encontram, muitos, aliás, ali colocados por eleitores comprometidos com programas de compra de votos financiados com recursos do Executivo. Busca-se, sim, a defesa da mais importante instituição da República: o Parlamento. Acima dos maus Senadores, deve o Senado ser mantido íntegro, assim como a Câmara dos Deputados - em que pese muitos de seus integrantes. Enfraquecer, ainda mais, o Congresso, equivale a retirar as últimas muralhas que protegem os poucos Senadores e Deputados independentes, que não se venderam e não foram cooptados pelo grupo que dominou a quase tudo e todos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário