Coluna
Rodrigo Constantino
Análises de um liberal sem medo da polêmicaA suposta isenção pode ser apenas covardia ou viés disfarçado

Momento do assassinato do cinegrafista Santiago Andrade por black blocs
Já falei da turma do “nem-nem” aqui, aqueles que nem são de direita, nem de esquerda, ou que não tomam um partido, nem o outro. São adeptos do “outroladismo”, pois em nome de uma suposta isenção, jamais podem criticar algo com mais convicção. Minto: podem sim, e fazem com freqüência. O lado que está com a razão.
O “isentismo” dos “moderados” quase sempre é covardia (na melhor das hipóteses) ou viés disfarçado (na pior delas). A postura da jornalista Míriam Leitão, que foi da esquerda jurássica a vida inteira e depois evoluiu um pouco, ilustra bem isso. Para poder criticar os xiitas petralhas em uma coluna recente, que adoram a espinafrar, teve que criticar com igual veemência Reinaldo Azevedo e minha pessoa.
Agora ela ataca novamente com seu “centrismo” absurdo, ao comentar a morte do colega cinegrafista. Primeiro, devemos perguntar o que ela entende por manifestação nessa passagem:
Lutamos para que as pessoas pudessem se manifestar, mas manifestação com agressão pode causar a morte de inocentes ou de trabalhadores. A manifestação é uma ferramente democrática, tem que acontecer, faz parte do processo democrático manifestar o desagrado, mas não atacando os profissionais de imprensa.
Estariam os mascarados black blocs se manifestando? Até este lamentável e trágico caso de morte, o que a turma de preto encapuzada fazia era “manifestação”? Quebrar carro de polícia é “manifestação democrática”? Reparem, ainda, na parte em negrito. Só não pode atacar profissionais de imprensa? Atacar policiais pode? Tudo bem?
Nem precisamos perguntar se a reação da mídia seria a mesma tivesse sido um policial militar o alvo do rojão dos criminosos, não é mesmo? Essa frase da jornalista Míriam Leitão deixa bem claro qual seria a resposta. Mas tem mais:
Segundo a Abraji, 102 jornalistas foram vítimas de agressão dos dois lados nessas manifestações – tanto da polícia quanto dos manifestantes. Foram olhados como se fossem alvo. Alguns manifestantes e policiais interpretam equivocadamente a nossa função na sociedade.
Reparem que mesmo diante de um assassinato por parte dos black blocs a jornalista se recusa a escrever um texto condenando simplesmente tais vândalos assassinos. Ela precisa incluir na lista de ataques os policiais, em pé de igualdade. Tanto “manifestantes” como policiais precisam parar com a violência…
Míriam, quem joga coquetel Molotov é policial? Quem depreda patrimônio público é policial? Quem vai se “manifestar” de máscara é policial? Quem quebra vitrine de loja e banco é policial? Por acaso você chama isso tudo de “manifestação”? E a polícia não deve reagir, com força inclusive, para coibir tais crimes e restabelecer a ordem?
Sabemos de algumas coisas: se o rojão tivesse pego em um policial, a mesma imprensa que está de luto hoje estaria indiferente; se não houvesse imagens comprovando a autoria dos criminosos mascarados, boa parte da imprensa ainda estaria levantando suspeitas da própria PM como responsável; mesmo com tudo isso esclarecido, parte da imprensa é incapaz de simplesmente condenar com firmeza a ação de arruaceiros criminosos que fingem ser “ativistas” ou “manifestantes”.
É tudo muito lamentável. Falta mais coragem. Falta mais clareza moral. Esse tipo de “jornalismo”, ao se pretender moderado e isento, acaba apenas condenando o lado certo e enaltecendo o lado errado.
PS: Aproveito para perguntar se este senhor na foto abaixo pretende vir a público se retratar, pedir desculpas por ter defendido abertamente os vândalos mascarados com as mãos sujas de sangue inocente…

PS2: E este outro aqui, jornalista como dona Míriam, pretende se retratar também, ou vai manter que é favor do “quebra-quebra”, que isso não vandalismo coisa alguma? Boechat, não custa lembrar, é revoltado com tudo do estado, mas paradoxalmente elogia o ditador Fidel Castro…
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