Há poucos dias, em determinado canal de Televisão, um comentarista convidado, cuja notoriedade decorre de sua condição de ex-jogador, ante vitória do Brasil em uma das partidas da copa, manifestou sua contaminação ideológica ao citar aquele êxito esportivo momentâneo como algo que o povo brasileiro seria merecedor após haver passado por tanto sofrimento por anos de "ditadura militar"???!!!
Passados alguns dias da pérola anterior, outro atleta manifestou, em face de derrota em partida da mesma copa, de forma sincera e ingênua, que sonhava em propiciar alguma alegria a "este povo tão sofredor"...
Os comentários refletem a triste e comum confusão, presente no inconsciente de boa parte dos brasileiros, sobre o que seja, de fato, o sucesso e, o mais grave, a mistura sobre esporte e política, entre valores duradouros e episódios transitórios, efêmeros.
Infelizmente, o problema decorre do fato de que prevalece aqui a percepção do sucesso como consequência da sorte, da identificação de um jeito novo de fazer algo, de mera criatividade divorciada do trabalho, da presença de fatores que diminuam a gravidade dos obstáculos... Como se a roda do destino fosse a única variável a conduzir os destinos.
A seleção da Alemanha, ao derrotar a do Brasil por sete a um pode ensinar algo muito mais valioso ao povo brasileiro... Lição mais honesta que o discurso do comentarista ou mais útil que o sonho do jogador! Quem esteja realmente atento aos fatos, em especial ao histórico de preparação da seleção alemã e a atitude de seriedade com que o assunto futebol – e qualquer outro - é encarado naquele país.
Ocorre que o sucesso de qualquer empreendimento – em que pese a inexorável presença de fatores cujo significado, finalidade e controle escapam aos seres humanos, os quais devem ser aceitos com serenidade, sem regozijo excessivo ou atitudes de revolta – decorre, basicamente, de esforço, perseverança e preparo responsável.
Não há fundamento na alegação de que qualquer pessoa esteja preparada ou seja capaz de conduzir qualquer empreitada ou discutir qualquer assunto. Isto é coisa para irresponsáveis, para loucos – e desgraçado será, mais cedo ou mais tarde, o destino daqueles que acreditam em tais aventureiros.
Quem sonha melhorar a vida de seu semelhante, de sua sociedade, deve trabalhar, seriamente e com honesto propósito, no sentido de melhorar a própria vida. O crescimento de uma sociedade se dá pelo crescimento de seus integrantes e, nessa trajetória, é mentira que aqueles melhor sucedidos atinjam tal resultado mediante a exploração dos demais. Na verdade, quem cresce sempre leva outros consigo – basta pesquisar a história de empresas e países. E para evitar abusos, desrespeito e injustiças, existe o Poder Judiciário. E atenção, durante a pesquisa, cuidado com a análise superficial de fatos! Como exemplo de equívoco grave, repetidamente cometido, pode ser citado o exemplo da Suécia como regime socialista que provê saúde, educação, emprego e dignidade a todos e que seu exemplo poderia dar certo em muitos outros países. Os erros de tal discurso são muitos. O principal deles consiste na omissão sobre como atingiu a Suécia seu sucesso econômico – motor de tantos avanços. Lá, como em qualquer outro lugar do planeta, a pujança da economia se baseia no empreendedorismo, em inúmeras empresas mundialmente conhecidas que nasceram de capitalistas suecos – e não de conselhos ou “soviets”. Na sequência, devem ser citados a importância dada à educação e, até mesmo, a densidade populacional.
Se ao final de refletir sobre estas palavras, o sucesso no futebol ainda estiver situado como prioridade, basta seguir os ensinamentos colhidos na pesquisa... Nem que seja, apenas, no que se refere ao estudo de caso da seleção alemã!
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